Atraso no período úmido deve elevar PLD a partir de outubro

Preço pode chegar a R$ 117/MWh em todos os submercados em janeiro de 2017

As projeções da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica indicam que o próximo período úmido (2016/2017) deverá começar com atraso por influência do fenômeno natural La Niña que, oposto ao El Niño, consiste no esfriamento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Com isso, o Preço de Liquidação das Diferenças ficará mais elevado a partir de outubro, podendo chegar a R$ 115/MWh e R$ 117/MWh, respectivamente, nos meses de dezembro de 2016 e janeiro de 2017 em todos os submercados.
 
"A tendência é que o PLD se eleve no mês de julho e agosto e em setembro caia. A partir de outubro ele passa a se elevar e essa elevação é em função do eventual atraso do início do período úmido, final de 2016 e início de 2017, possivelmente sobre a influência da La Nina", disse Rodrigo Sacchi, gerente de preços da CCEE, durante apresentação do InfoPLD de junho nesta segunda-feira, 27.
 
O período úmido normalmente começa em dezembro e termina em abril. É nesse espaço de cinco meses que o Operador Nacional do Sistema Elétrico espera que os reservatórios das hidrelétricas se recuperam de tal modo que sejam capazes de garantir o suprimento de energia durante os meses de maio a novembro, caracterizado como período seco. Nos últimos dois anos, o Brasil conviveu com o rigoroso El Niño, fazendo com que o ano de 2015 fosse um dos mais quentes da história.
 
Sacchi explicou que em junho houve aumento das precipitações por conta do avanço das frentes frias e com isso o SE/CO deve fechar o mês com 119% da MLT. Já o Sul, depois de vários meses, apresentou uma afluência abaixo da MLT, de 96%. "Isso mostra que, de fato, coincide com o fim do fenômeno El Niño", disse. O Nordeste deve fechar o mês com 30% da MLT e o Norte com 43%.
 
Para julho, a análise da tendência hidrológica feita pela CCEE indica Energia Natural Afluente (ENA) no Sudeste/Centro-Oeste de 104% da Média de Longo Termo (MLT), no Sul (158%), no Nordeste (43%) e no Norte (58%). A energia armazenada nos reservatórios apresentou deplecionamento em todos os subsistemas, o que é típico para esse período. O Sudeste deve terminar o mês com 56% de armazenamento máximo (-0,3%), Sul com 89% (-2,9%), Nordeste com 27% (-3%) e Norte com 60% (-2,5%).
 
A média do PLD em junho foi de R$ 61,32 MWh no submercado Sudeste, R$ 56,13/MWh no Sul, R$ 118,60/MWh no Nordeste e R$ 112/MWh no Norte. Para o início de julho, a média está em R$ 72,94/MWh para os submercados SE/CO e Sul, e R$ 104,13/MWh para o Norte e Nordeste. Segundo a CCEE, o consumo nacional de energia em junho está praticamente estável, com leve variação positiva de 0,3% em relação a junho de 2015. O ambiente regulado tem apresentado queda de 1,7% em função das baixas temperaturas, ao passo que o ACL apresenta aumento de 5,9% em função da migração de consumidores especiais.
 
O fator de ajuste do MRE para junho foi estimado em 89%. O índice esperado para julho é de 100%. A CCEE estima que o ano deve terminar com a média de 93% da energia alocada. O Encargo de Serviço do Sistema esperado para junho é de R$ 208 milhões em junho. Já para julho o ESS esperado é de R$ 130 milhões, totalizando algo entorno de R$ 2,6 bilhões no ano.