Cesp espera PLD abaixo de R$ 90 no segundo semestre

Lei das estatais força empresa a apresentar plano de estratégia até o fim do ano. Possível privatização ganha força

A Cesp espera um PLD pouco acima dos R$ 83/MWh registrados no último mês de julho para o segundo semestre do ano. Em conferência com analistas nesta quarta-feira, 17 de agosto, o diretor de relações com investidores de empresa, Almir Martins, acredita que apesar da subida no preço, ele não deve alcançar a casa dos R$ 90/ MWh, repetindo a mesma previsão para o mês de agosto. "Os preços de agosto também devem ficar em oitenta e poucos reais", afirmou.

O executivo explicou que por conta da Lei das Estatais, a Cesp deverá apresentar seu plano estratégico até o fim do ano, embora ainda não esteja clara qual linha de atuação estratégia será adotada pelo controlador da empresa, o governo do estado de São Paulo. Segundo Martins, há um trabalho sendo feito por uma consultoria que vem apresentando cenários para a diretoria da empresa. “Os cenários vêm sendo discutidos nas reuniões do conselho de administração", revelou.

Quanto a uma eventual privatização da Cesp, Martins também deixou claro que essa decisão não é do setor administrativo da Cesp e sim do seu acionista controlador. Lembrando que ela está inserida no Programa Estadual de Desestatização, o diretor ressaltou que não há nenhum tipo de orientação de quando isso vai ocorrer, também reservando para o fim do ano a decisão. Ainda segundo o executivo, a conjuntura mudou, o que fez com que essa possibilidade de privatização voltasse a ser aventada. A não renovação das concessões e a crise hídrica também deixou o cenário difícil, o que afastava a venda. "Houve um período de incerteza quanto à privatização", aponta. A venda de parte da CPFL para a State Grid e a eventual retomada da economia trazem o tema de volta.

Com o fim da operação das usinas hidrelétricas de Ilha Solteira e Jupiá, a Cesp vai ter em 2017 uma redução de R$ 800 milhões na sua rubrica de Pessoal, Material, Serviços e Outros, na comparação com 2015. Como este ano houve a operação assistida desses ativos, o impacto só pode ser avaliado para o ano que vem. Na comparação com 2014, a redução chega a R$ 1,1 bilhão. A redução de encargos de uso da rede deve chegar a R$ 350 milhões, a R$ 60 milhões na compensação financeira e R$ 40 milhões de Reserva de Reversão Global. Já o déficit hidrológico deve ficar abaixo de 1%, em torno de 93%, ficando na média do segundo semestre.