Emissões de CO2 no mundo relacionadas à energia ficaram estáveis em 2016

Segundo o EIA, resultado sinaliza dissociação das emissões e da atividade econômica, além de uma alta na geração por fontes renováveis

As emissões globais de dióxido de carbono relacionadas à energia ficaram estáveis pelo terceiro ano consecutivo em 2016 e alcançaram 32,1 gigatoneladas, mesmo com o crescimento da economia global, de acordo com comunicado da Agência Internacional de Energia divulgado nesta sexta-feira, 17 de março. O resultado, segundo o órgão, sinaliza uma dissociação contínua das emissões e da atividade econômica, além de refletir o crescimento sucessivo da geração por meio de fontes renováveis de energia frente ao uso do carvão. Melhorias na eficiência energética e mudanças estruturais na economia global também explicam o quadro estável, diz o EIA.

O levantamento mostra que as emissões de CO2 diminuíram nos Estados Unidos e na China – dois maiores consumidores e emissores de energia do mundo – e permaneceram estáveis na Europa, compensando aumentos na maior parte do resto do mundo. A maior queda veio dos Estados Unidos, onde as emissões de CO2 caíram 3%, ou 160 milhões de toneladas, enquanto a economia cresceu 1,6%. O declínio foi impulsionado por aumentos no fornecimento de gás de xisto e na geração renovável. As emissões nos Estados Unidos no ano passado estavam em seu nível mais baixo desde 1992, período em que a economia cresceu 80%.

As fontes renováveis de energia forneceram mais de metade do crescimento da demanda global de eletricidade em 2016, sendo a hidrelétrica a responsável por metade dessa participação. O aumento global da capacidade nuclear do mundo no ano passado foi o maior desde 1993, com novos reatores na China, Estados Unidos, Coréia do Sul, Índia, Rússia e Paquistão. A demanda de carvão caiu mundialmente, mas a queda foi particularmente acentuada nos Estados Unidos, onde a necessidade caiu 11% em 2016. Pela primeira vez, a geração de eletricidade a partir do gás natural foi maior do que a do ano passado nos Estados Unidos.

As emissões na China – país cuja economia cresceu 6,7% em 2016 – caíram 1% no ano passado, em virtude principalmente da diminuição da demanda por carvão e do uso crescente das energias renováveis, da nuclear e do gás natural no setor da eletricidade. Dois terços do crescimento de 5,4% da demanda de eletricidade na China foi fornecido por fontes renováveis – principalmente hidrelétricas e eólicas –, bem como nucleares. Houve ainda mudanças no uso do gás como substituto do carvão nos segmentos industrial e imobiliário, impulsionadas em grande parte pelas políticas governamentais de combate à poluição atmosférica.