Abradee: nova regra de bandeiras não pressionará CVA de distribuidoras

Decisão da Aneel foi considerada adequada e prudente até que se tenha um cenário mais claro do nível dos reservatórios ao final do período úmido

A redução no valor da bandeira amarela para R$ 1,50 para cada 100 kWh consumidos e a divisão da bandeira vermelha em dois patamares é vista como adequada e prudente pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica. Na avaliação do presidente executivo da entidade, Nelson Fonseca Leite, esses novos valores estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica são condizentes com o momento dos custos da energia térmica e não deverão pressionar  os custos com aquisição de energia por parte das distribuidoras e que são direcionados à CVA até o aniversário dos contratos de concessão.

“Os custos baixaram e é natural que se redimensione isso [o valor das bandeiras]”, comentou o executivo à Agência CanalEnergia. “Essa redução parcial é adequada e prudente da parte da Aneel, agora devemos aguardar até o final de abril, que é quando se encerra o período chuvoso para ver como fica a situação que poderá levar até mesmo à bandeira verde caso o nível dos reservatórios continuem melhorando”, acrescentou Leite.
A entidade reforçou a expectativa da Aneel de que a divisão da bandeira vermelha em dois patamares – R$ 3 a cada 100 kWh para a geração térmica entre R$ 422,56 e R$ R$ 610/MWh e R$ 4,50 se a geração térmica estiver igual ou acima de R$ 610/MWh – deverá levar a uma redução da conta de forma imediata na casa de 2%. E disse ainda que essa é a característica mais positiva das bandeiras, a flexibilidade de se acrescentar ou tirar da tarifa de energia.
Ainda ontem, o diretor relator dessa matéria na Aneel, André Pepitone, destacou que a definição de dois níveis para a bandeira vermelha permitirá maior flexibilidade e aderência ante às variações dos custos de geração de energia. Ele lembrou que se essa nova regra já estivesse valendo, os consumidores de hoje pagariam o patamar mais baixo da bandeira vermelha. Segundo seus cálculos, isso representaria uma economia de cerca de 33% com a conta das bandeiras. Além disso, a variação de custo da bandeira vermelha, visto a faixa de valores da CVU que ela abrange chega a R$ 840 milhões. Na amarela essa variação é de R$ 315 milhões.