Transmissão pode receber investimentos associados a parques eólicos

Outra solução para instalações sem interessados é a construção pela Eletrobras

O governo pretende identificar quais, entre os projetos de transmissão que não foram arrematados nos últimos leilões, são prioritários para o atendimento energético do país. Essas instalações poderão, no limite, ser autorizadas diretamente às empresas Eletrobras, mas existe a possibilidade de que parte dos recursos destinados à implantação de parques eólicos também financiem a implantação de linhas e pontos de conexão dessas usinas à Rede Básica do Sistema Interligado.
 
O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, explicou em entrevista nesta quinta-feira, 19 de novembro, que "boa parte dessas linhas são de conexão entre geradores eólicos futuros e as linhas da Rede Básica". A intenção, segundo o ministro, é estudar com a Agência Nacional de Energia Elétrica e a Empresa de Pesquisa Energética uma maneira de poder juntar os parques eólicos com a necessidade de implantação das instalações de transmissão. "Eu sempre disse isso: após equacionarmos o GSF (risco hidrologico das usinas), a nossa demanda seria equacionar um modelo robusto para a transmissão", acrescentou, antes de participar da entrega do Premio Iasc na sede da agência reguladora.
 
Para o ministro, o resultado do leilão de transmissão da última quarta-feira, 18, foi melhor que o do leilão anterior. No certame, apenas quatro dos 12 lotes de concessões ofertados encontraram interessados, o que, na opinião de Braga, ainda assim, torna o resultado de 2015 melhor que a média dos anos anteriores. "Só uma dessas linhas foi de R$ 1,5 bilhão. Estamos fechando o ano de 2015 com mais de R$ 13 bilhões de contratos em linhas de transmissão", destacou.   
 
O resultado do leilão de ontem também reflete a ausência das empresas Eletrobras. Furnas, Eletrosul, Eletronorte e Chesf não participaram do certame porque a intenção do governo é que elas continuem concentradas na entrega dos empreendimentos que têm em carteira. O ministro admitiu que todas atingiram seu limite de endividamento e de gerenciamento de projetos. "Nós temos hoje 160 SPEs [Sociedades de Propósito Específico] embaixo da holding Eletrobras. É um número muito grande. Então, temos que concluir boa parte desses contratos para que a gente possa voltar a ter capacidade não só de gestão, de endividamento e etc. É preciso trazer novamente a Eletrobras para um nível que seja admissível para o setor".
 
Caso não consiga atrair investidores para alguns dos projetos de transmissão, a possibilidade é de que, futuramente, venham a compor o portfólio da estatal, mas isso ainda será objeto de análise, de acordo com o ministro. É o caso de linhas que já estão em seu terceiro ou quarto leilão, por exemplo. Mas, segundo Braga, uma parte da solução pode passar também pelo investidor em eólica assumir também a implantação de sua própria conexão à Rede Básica.