Transferência de DITs da Cteep pode impactar 30% da receita consolidada

Empresa afirma que banco de preços da Aneel deverá ser discutido durante a audiência pública que recebe contribuições até 31 de agosto

A proposta de transferência das demais instalações de transmissão (DIT) que está em discussão na audiência pública da Agência Nacional de Energia Elétrica poderá alcançar mais de 50% dos ativos da Cteep. Esse impacto se levado a esse extremo poderia impactar a companhia em cerca de 30% da receita consolidada. Em 2014 a receita líquida, segundo o balanço da empresa ficou em R$ 1,1 bilhão e a operacional bruta ficou em R$ 1,234 bilhão.

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Rinaldo Pecchio Jr. disse que esses números são preliminares e depende do alcance da audiência pública, cujo período de contribuições começou nesta segunda-feira, 29 de junho e se estende até 31 de agosto. Segundo o executivo, há aspectos jurídicos e econômico-financeiros que merecem considerações durante esse período.

Ele destacou que no que se refere à parte econômica financeira algo que precisa de definição é o valor da indenização proposta inicialmente que é de R$ 350 milhões pelos ativos ainda não depreciados sem considerações tributárias e sem a avaliação de valor de mercado. “O banco de preços da Aneel tem problemas e está defasado de uma forma geral, e não reflete totalmente os custos das empresas, isso é algo que precisará ser discutido”, disse o Pecchio Jr à Agência CanalEnergia.

O diretor afirmou que o problema com essa proposta não é a transferência dos ativos para as distribuidoras como é a ideia que tramita na Aneel e sim a indenização a um valor justo pelos investimentos realizados. Pecchio Jr preferiu não indicar o valor que esses ativos que podem ser enquadrados pela audiência ainda carrega no balanço da companhia. Ele disse que há vários itens que precisam ser avaliados.

A audiência pública que a Aneel abriu propõe a transferência das DITs para as distribuidoras. Essas são instalações que operam em tensão abaixo de 230 kVs, mas que são implantadas e exploradas pelas transmissoras. A norma, quando aprovada será aplicada às DITs em operação, às que estão em fase de instalação e aos projetos previstos no planejamento.