Perda de Santo Antônio com compra de lastro chega a R$ 2,6 bilhões, segundo executivo

Eduardo Melo Pinto disse que decisões da Aneel foram frustrantes para a empresa

O presidente da Santo Antônio Energia, Eduardo Melo Pinto, considerou frustrantes as decisões da Agência Nacional de Energia Elétrica contrárias ao reconhecimento de exclusão de responsabilidade pelo atraso no cronograma da hidrelétrica Santo Antônio  e ao deslocamento da data de início de suprimento dos contratos de energia com o mercado regulado. Em conversa com jornalistas, após a votação dos dois pedidos da empresa pela Aneel, o executivo informou que o prejuízo da Saesa com a compra de lastro para honrar os contratos desde 2012 chega a R$ 2,6 bilhões. A maior parte desse valor está relacionada à venda de energia no Ambiente de Comercialização Livre.

Só o pleito de excludente de responsabilidade representaria ressarcimento de R$ 1 bilhão dos R$ 2,6 bilhões em despesas já pagas pela geradora, segundo o executivo. Eduardo Melo Pinto reclama das dificuldades financeiras da empresa, que fechou 2014 com prejuízo de R$ 2,2 bilhões. Ele diz que o projeto ainda está de pé por causa dos aportes de recursos feitos pelos sócios, mas enfrenta problemas com a exposição resultante da geração abaixo da garantia física, que chega a 20% da energia contratada; o cálculo do Fator de Indisponibilidade da usina e até mesmo com a demora na avaliação dos pleitos pela agência reguladora. "Santo Antônio está prestes a ruir", disse o executivo. A Saesa tem como sócios Furnas, Cemig,  Odebrecht, Andrade Gutierrez e Caixa FIP Amazônia Energia.

Com entrada em operação comercial da primeira unidade geradora prevista originalmente para dezembro de 2012, a UHE Santo Antônio teve seu cronograma antecipado a pedido da Saesa para dezembro de 2011. Mas a operação só começou de fato em março de 2012, e a antecipação pretendida acabou sendo de nove, e não de 12 meses. Melo Pinto alega que a Aneel já havia reconhecido dois meses de excludente de responsabilidade no atraso do cronograma e que, por isso, só deveria exigir a recomposição de lastro dos contratos do ACR a partir de fevereiro, e não de janeiro de 2013.