Setor elétrico encabeça lista de empresas que podem perder grau de investimento

Relatório da agência de classificação de risco Moody’s aponta incertezas regulatórias e impactos que um racionamento de energia pode ter sobre as companhias

O Brasil voltou a atrair o foco das atenções do mercado financeiro. Mas desta vez pelo fato de ter um número grande de empresas com perspectiva negativa de ratings por parte da agência de classificação de risco Moody’s. O país teve um aumento significativo de companhias classificadas como falling angels, aquelas que apresentam potencial de ter a nota cortada e passar para o risco especulativo. E são justamente as utilities que concentram o maior número de organizações nesse grupo, são seis ao total mais duas de geração.

Com isso o Brasil ultrapassou a Rússia no primeiro trimestre e ao lado dos Estados Unidos é o país com o maior potencial de empresas perderem o grau de investimento. A atenção veio por conta de um aumento significativo no número de empresas presentes no relatório trimestral da Moody’s. No ultimo trimestre de 2014 havia apenas três empresas e agora são oito. O principal motivo para esse aumento está baseado nas condições macroeconômicas do país e as mudanças regulatórias que tem levado a condições mais desafiadoras para empresas de um mesmo setor,
A seguir estão as empresas do setor elétrico que passaram a figura nesse grupo a partir do primeiro trimestre de 2015 e os motivos que levaram a Moody’s à indicação:
AES Tietê – a geradora da AES Brasil possui a nota Baa3 que passou de estável para possível downgrade. A performance financeira da empresa está mais fraca que a esperada devido a uma eventual exposição ao mercado de curto prazo e a manutenção de uma política agressiva de pagamento de dividendos que pode deteriorar a liquidez da companhia.
Bandeirante Energia – a distribuidora da EDP no Brasil está com a mesma nota, Baa3, mas com perspectiva negativa. A agência Moody’s argumenta que há o crescimento de incertezas quanto a perspectiva de racionamento de energia e seu impacto sobre o fluxo de caixa e liquidez da companhia. Além disso, há pouca clareza de como a companhia irá lidar com a questão dos dividendos diante dessa possibilidade de enfraquecimento das métricas de fluxo de caixa mesmo com o aumento das tarifas programado para este ano, citando o RTE e o 4º ciclo de revisão tarifário, outubro de 2015.
Escelsa – A outra distribuidora da EDP possui a mesma nota, mas a perspectiva para rebaixamento. A agência de classificação de risco aponta o enfraquecimento dos indicadores de crédito e a posição de liquidez da empresa ficará mais pressionada em comparação a 2014 devido a uma superestimação de R$ 100 milhões dos fundos de operação da empresa a partir do reconhecimento dos ativos regulados referentes a períodos anteriores à norma IFRS.
Energest – outra empresa do grupo português e com a nota Baa3 passou da perspectiva estável para negativa em decorrência. Aqui também é citada a incerteza sobre o potencial de impacto de um racionamento ou a exposição do fluxo de caixa da empresa ao mercado de curto prazo. A agência menciona ainda uma perspectiva de aumento do pagamento de dividendos para a holding em função de sua necessidade de caixa.
Por sua vez a Eletrobras já faz parte desse grupo a mais tempo e sua nota está ligada diretamente ao risco soberano do país. Ou ainda se as métricas de credito da companhia se deteriorarem mais do que a previsão da agência de classificação de risco por um período de tempo mais prolongado que leva à deterioração de sua liquidez. Empresas nacionais de outros setores que estão nesse grupo são a Sabesp, Braskem e a construtora Norberto Odebrecht.