Engie tem preferência por ativos novos em transmissão

Empresa argumenta que quer utilizar expertise em gerenciar riscos e assim garantir maiores retornos

A Engie Brasil Energia projeta antecipar a operação de sua primeira linha de transmissão em cerca de um ano. De acordo com o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Carlos Freitas, isso pode levar a um benefício adicional ao aumentar o tempo de receita proveniente do empreendimento localizado no estado do Paraná, próximo às UHEs Salto Santiago e Salto Osório. E a tendência é de que a companhia, que hoje detém cerca de 10 GW em capacidade de geração, amplie sua atuação neste novo segmento, inclusive com novas participações nos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica.
“Olhamos com carinho esse negócio [transmissão]“, afirmou o executivo. Sobre o primeiro projeto que a Engie arrematou, ele disse que os estudos da companhia apontaram a possibilidade de uma redução no montante a ser investido no projeto na ordem de 15%. “O investimento estimado pela Aneel era de R$ 2 bilhões e nossos estudos indicam que o aporte deverá ser de R$ 1,7 bilhão e ainda estamos trabalhando com a antecipação o prazo em um ano”, afirmou o executivo em reunião com analistas e investidores promovida pela Apimec-SP. Ele lembrou que o contrato de concessão passa a valer a partir dessa sexta-feira, 9 de março, e que a empresa terá cinco anos para colocar o projeto em operação, segundo o contrato assinado com a agência reguladora.
Segundo Freitas, a ideia a empresa é de focar esforços em novos projetos de transmissão mais do que em ativos já existentes como os da Eletrobras. Isso porque, justificou ele, a Engie procura utilizar suas vantagens competitivas. Nesse sentido, continuou ele, quando o ativo é operacional o nível de risco é baixo, ao contrário de projetos greenfield que têm alto risco e, consequentemente, alto retorno. “Como sabemos gerenciar o risco, a tendência é de focar em novos projetos, mas isso é a tendência, não significa que não avaliaremos outros ativos no mercado”, disse. No caso dos ativos da Eletrobras ele comentou ainda que a companhia procura posições majoritárias e não apenas minoritárias como na maioria das SPEs que a estatal colocará à venda em um leilão inicialmente programado para junho.