Moody’s eleva ratings de empresas de transmissão e distribuição

Análise reflete tendências de estabilização das gerações de fluxo de caixa com receitas fixas que não dependem do volume, o que reduz exposição a uma desaceleração econômica

A agência de classificação de risco Moody’s divulgou na última terça-feira, 10 de abril, ações de ratings para diversas empresas do setor de transmissão e distribuição de energia elétrica que operam no Brasil. Os ratings seguiram a mudança da perspectiva para os títulos da dívida do Brasil de negativa para estável e a afirmação de emissor e de dívida sênior sem garantia em Ba2, anunciada no último 9 de abril. O equilíbrio das companhias reflete a perspectiva estável atribuída pela agência para o perfil de crédito do país e sua visão que a qualidade em questão continua a ser dependente do crédito soberano.

Concessionárias de energia elétrica não reguladas e projetos de geração também estão expostos a qualidade do crédito soberano devido à natureza altamente regulada do setor de energia e sua base doméstica de consumidores finais. No entanto, o grau no qual cada uma é afetada imediatamente por uma reversão eventual do crescimento econômico e sua capacidade de suportar uma desaceleração prolongada varia de acordo com sua qualidade crédito intrínseca e perfil de negócios.

Apesar da natureza regulada, as empresas do setor de transmissão brasileiro contam com receitas fixas que não dependem de volume, o que reduz sua exposição a uma desaceleração econômica. Consequentemente, a elevação dos ratings da EATE – Empresa Amazonense de Transmissão de Energia S.A., ECTE – Emp. Catarinense Trans. Energ. S.A., ENTE – Emp. Norte de Trans. de Energ. S.A, ETEP – Emp. Paraense Trans. Energ. S.A. e TAESA para Ba1/Aaa.br, refletem a natureza altamente previsível dos fluxos de caixa em conjunto com suas posições de liquidez adequadas e alavancagem baixa para a categoria de rating.

No caso da Rio Paranapanema Energia S.A, a elevação dos ratings para Ba1/Aaa.br mostra a percepção da Moody’s de que as métricas de crédito dessa entidade, derivadas do negócio de geração de energia em mercados não regulados, devem permanecer robustas diante da perspectiva de crescimento mais forte que o esperado no curto e médio prazo para o país. Os ratings também consideram a expectativa da Agência de suporte apropriado e confiável de um controlador estrangeiro para mitigar eventuais volatilidades do fluxo de caixa, visto a Rio Paranapanema ser controlada indiretamente pela China Three Gorges Corporation (CTG Corp, A1 estável).

Já as elevações dos ratings corporativos (“CFR”) e rating de dívida sênior sem garantia da EDP São Paulo Distribuição de Energia S.A. para Aa1.br, e da Energisa para A1.br, reflete a mudança de perspectiva bem como o posicionamento de seu perfil de crédito em comparação com pares locais do setor regulado de distribuição de energia.

Uma alteração do rating ou da perspectiva soberana pode resultar em uma subsequente ação de rating para essas companhias. Uma ação de rating também pode ser deflagrada se a Moody´s perceber mudanças materiais no ambiente regulatório sob o qual essas companhias operam ou interferência política no curso normal de seus negócios. Deterioração sustentada ou melhora das métricas de créditos relevantes ou do perfil de liquidez também podem desencadear uma alteração de rating para esses emissores.