Gestora de recursos da Delta mira carteira de R$ 5 bi em cinco anos

Anunciada pelo grupo essa semana, a Delta Energia Asset Management administra um fundo de R$ 1 bi em operações estruturadas de pré-pagamento de energia

A gestora de recursos independentes Delta Energia Asset Management, responsável por um fundo de investimentos de R$ 1 bilhão, planeja formar outros fundos para, em um horizonte de cinco anos, chegar a uma carteira de R$ 5 bilhões. A empresa foi criada pela Delta Energia para administrar inicialmente o CSHG Delta Energia, direcionado a investidores profissionais brasileiros e capitalizado em setembro do ano passado, mas já estuda a possibilidade de diversificar o perfil dos próximos fundos, com a abertura, por exemplo, para estrangeiros e investidores menores que não sejam profissionais.

A ideia é se antecipar às mudanças em discussão no mercado de energia elétrica, o que inclui todos os aspectos legais e regulatórios considerados na formatação do novo modelo do setor, usando a experiência do grupo para melhor atender as necessidades do mercado, explica o CEO da empresa, Luiz Fernando Vianna. O executivo, que já passou pela Copel e pela Apine (Produtores Independentes), deixou recentemente a direção-geral brasileira de Itaipu Binacional para assumir o desafio de tocar o novo negócio do grupo Delta.

O CSHG Delta Energia foi formado em 42 dias, e logo de saída recebeu R$ 100 milhões. Hoje, 60% (R$ 600 milhões) do fundo estão integralizados, e a desafio de curto prazo é capitalizar os R$ 400 milhões restantes nos próximos meses, com a antecipação da meta estabelecida para dezembro. Junto com a gestora, foi criada uma comercializadora, a Beta, responsável pelas operações do fundo.

“De um lado, havia demanda das geradoras hidrelétricas por contratos de pré-pagamento de energia elétrica, de operações estruturadas. Por outro lado, também havia demanda por produtos no mercado de comercialização para o investidor profissional”, conta Vianna. Do ponto de vista desse investidor, destaca, a demanda era por produtos de energia elétrica que não fossem usuais no mercado, como compra de ações, de participação em empresas e de debêntures.

“O investidor queria um produto diferente também. Esse foi o desafio colocado”, afirma o executivo à Agência CanalEnergia. Com a iniciativa de atender a essa demanda com um produto diferente, completa, a empresa contribui para a sofisticar as operações no segmento de comercialização e tratar a energia elétrica como um ativo financeiro.

Vianna informa que a empresa está concentrada em completar a capitalização do fundo, mas já estuda o  mercado, avaliando o próximo passo. O objetivo é,  no segundo semestre do ano, ter pelo menos mais um fundo de investimentos estruturado.  “Com certeza,  nosso produto vai ser energia elétrica, que é nossa finalidade, nosso grande ativo.”