Eletrobras: aumento seria para evitar debandada de diretoria

De acordo com empresa, remuneração de diretores e membros de conselho é baseada em salário do diretor. Pedido foi negado

A Eletrobras confirmou em comunicado ao mercado nesta segunda-feira, 7 de maio, que foi solicitado a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais aumento na remuneração do presidente Wilson Ferreira. Ele havia proposto aumentar o atual salário mensal de R$ 52,3 mil para R$ 76,6 mil. De acordo com o comunicado, o pedido de reajuste foi feito de modo que houvesse uma atualização na remuneração dos diretores, membros de conselho de administração, fiscal e membros do Comitê de Auditoria Estatutário, que tem seus vencimentos referenciados aos da presidência. A Eletrobras diz ainda que o último reajuste de honorários dos dirigentes da Eletrobras foi em abril de 2015, o que levou a defasagem dos valores.

Outro ponto que a estatal ressaltou no comunicado foi o grande número de diretores que são empregados da empresa. Por conta disso, o contrato deles é suspenso e eles devem ter o salário de diretores. Segundo a Eletrobras, essa suspensão faria com que os diretores empregados reavaliassem a sua permanência na empresa, o que poderia levar ao retorno do diretor a condição de empregado ou a perda do quadro no meio do Plano Diretor de Negócios e Gestão 2018-22. “Desta forma, o aumento da remuneração estatutária seria relevante para propiciar um tratamento isonômico entre todos os membros de uma mesma Diretoria, além de contribuir para a permanência de diretores empregados que têm sido atuantes em projetos-chave tocados pela atual gestão ao longo dos últimos anos”, diz trecho do comunicado.

Desde que foi anunciada a sua privatização, a estatal vem protagonizando polêmicas e na última semana, foi divulgado que o presidente da empresa teria solicitado aumento de salário. A ação surpreendeu por contrastar com o discurso de austeridade pregado nos últimos anos. Campanha feita pelo Ministério de Minas e Energia em rede sociais alegavam que a empresa estaria “quebrada” e que seus funcionários teriam altos salários, o que levou a forte reação de empregados e de alguns agentes. Outro ponto da campanha que causou estranheza foi o que relacionava a privatização da empresa com o fim da bandeira tarifária, que é definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

Ainda segundo a Eletrobras, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se posicionou pela manutenção dos mesmos de 2017-2018 na Assembleia Geral Ordinária, sem aumento. A mesma orientação foi seguida nas assembleias de cada uma das empresas controladas. Todo ano a Sest solicita a todas as empresas controladas pela União, informações úteis para sua apreciação e manifestação nas respectivas Assembleias Gerais Ordinárias.