Plataforma do ONS para operação em tempo real ganha tecnologia hiperconvergente

Rede de Gerenciamento de Energia passa a contar com sistema viabilizado pelo Consórcio Siemens-Cepel, onde todos recursos de hardware são definidos por um software

Utilizado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico desde 2013, o sistema de supervisão e controle utilizado pela Rede de Gerenciamento de Energia – REGER passará a contar com uma plataforma hiperconvergente, onde todos recursos de hardware, sejam de processamento, armazenamento ou rede, passam a ser definidos por software. A inovação tecnológica foi idealizada pelo ONS e viabilizada pelo Consórcio Siemens-Cepel, responsável pelo desenvolvimento e evolução do sistema.

Graças à sua concepção, baseada no conceito de evolução constante – Evergreen, o REGER pode ser constantemente atualizado para assegurar um ambiente seguro, flexível e adaptável às constantes mudanças do sistema elétrico nacional. No caso o contrato para atualização tecnológica da plataforma, que deu início ao Ciclo 2 da Rede, foi assinado no primeiro semestre deste ano por ONS, Cepel e Siemens. A plataforma virtualizada dará suporte à expansão da capacidade do sistema e ao desenvolvimento de novas funcionalidades, que garantirão ainda mais eficiência e confiabilidade à operação do Sistema Interligado Nacional pelo Operador.

Segundo o coordenador técnico do projeto pelo ONS, Diogo Cruz, a evolução está alinhada com o planejamento estratégico de implantação do novo ambiente da sala de controle, que busca se adequar ao exponencial aumento da complexidade da operação: “A implementação permitirá uma flexibilidade com a agilidade necessária para incorporação de novos recursos e funcionalidades no REGER, dadas as dificuldades prementes na operação do sistema elétrico”, explicou.

Na visão do Operador, a adoção de uma solução virtualizada também contribuirá para a redução de custos, aumento da disponibilidade e melhor gestão dos ativos computacionais. Para se ter uma ideia dos ganhos em eficiência no uso de recursos, os centros terão seus servidores reduzidos em ¼ do número atual, sendo eliminados os hardwares dedicados a storage e simplificada a infraestrutura de rede. Apesar disso, ganharão expressivamente em capacidade computacional e de armazenamento.

“As características de flexibilidade, escalabilidade e descentralização do SAGE, além do compromisso do Cepel com a constante evolução da sua solução EMS/SCADA, permitiram a aposta nesta tecnologia de ponta, que, atualmente, só é encontrada no suporte de poucas funcionalidades de sistemas de supervisão e controle”, assinalou Ayru L. Oliveira Filho, gerente do projeto pelo Cepel, reforçando que o uso sistematizado em um sistema complexo como o REGER é provavelmente o único em todo planeta. Por sua vez, o gerente de vendas da Siemens, Davi Gomes, destacou o avanço do setor energético rumo à digitalização, uma tendência mundial para redução de custos e aumento de eficiência.

O REGER é uma rede de sistemas SCADA/EMS (Supervisory Control and Data Acquisition System/Energy Management System) que tem seu núcleo baseado no SAGE (Sistema Aberto de Gerenciamento de Energia), desenvolvido pelo Cepel, e no sistema para gerenciamento de dados off-line Spectrum PowerCC IMM, da Siemens.

Com arquitetura e recursos inéditos, a Rede é referência para outros projetos de sistemas de supervisão e controle no mundo. Desde sua concepção, a solução é composta por um conjunto de sistemas de supervisão e controle integrados, geograficamente distribuídos e redundantes, sincronizados em tempo real e capazes de suportar todas as funções que integram a principal missão do ONS.

O sistema de gerenciamento abrange o Centro Nacional de Operação do Sistema (CNOS) e os quatros Centros de Operação e Supervisão Regionais (COSR) do ONS, em Brasília, Rio de Janeiro, Recife e Florianópolis, disponibilizando uma plataforma única e sincronizada, que permite total comunicação e sincronização de dados em tempo real entre os centros de controle. Sendo assim, há a possibilidade de continuidade do processo crítico de supervisão e controle, mesmo em caso de indisponibilidade ou falha, parcial ou total, em um dos centros componentes da rede.

Somado a isso, a evolução dos aplicativos avançados de controle automático de geração e de análise de redes em tempo real do SAGE possibilita uma operação econômica e segura no dia-a-dia, e agiliza os processos de recomposição após distúrbios na rede elétrica.

Validação da nova plataforma e migração

A definição de uma nova infraestrutura computacional para suportar o novo Ciclo do sistema já estava previsto originalmente no projeto. Para tanto, desde 2016, ONS, Cepel e Siemens vêm avaliando as mais modernas soluções em termos de arquitetura computacional.

Em 2017, foi configurada uma plataforma para prova de conceito (POC), baseada nas soluções VMware de hiperconvergência, nas instalações do ONS no Rio. Sobre esta ferramenta, foram realizados testes para garantir que os requisitos de desempenho e disponibilidade necessários à plena operação do REGER fossem atendidos.

Os resultados das simulações e testes na plataforma POC permitiram a adequação e seleção das características adequadas de virtualização e a avaliação do dimensionamento do novo hardware, tendo indicado a viabilidade da solução para a Rede.

A partir do segundo semestre de 2018, a nova plataforma será introduzida gradualmente nos quatro sistemas de supervisão do Operador, a começar pelo Rio de Janeiro. Todos testes de desempenho, de disponibilidade e das diversas funcionalidades serão novamente executados em cada centro para assegurar os altos padrões de qualidade especificados desde sua concepção.

A migração para a nova plataforma será realizada de forma a garantir a continuidade da operação do sistema, cuidando para que sua segurança e desempenho não sejam alterados. Como o REGER é baseado em uma arquitetura distribuída e redundante, isso será possível com mínima interferência na operação diária do ONS.