Parques híbridos estão mais perto, diz EPE

Para Reive Barros, chegada de baterias também vai forçar novo produto

A viabilização de empreendimentos de energia híbridos, que por muitos ainda é considerada longe de realização, pode estar mais perto. A expectativa do mercado é que se possam implantar parques eólicos e solares. De acordo com o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Reive Barros, os empreendedores de energia eólica e solar já começam a olhar os investimentos nas duas fontes juntas, já que além da complementaridade, ele traz uma redução imediata nos custos de escoamento. “A sinergia é importante para que se possa dimensionar e não seja necessário fazer um sistema de transmissão robusto”, afirmou Barros, em painel do Brazil Wind Power realizado nesta quarta-feira, 8 de agosto, no Rio de Janeiro (RJ).

Ainda de acordo com Barros, oferecer um produto híbrido em um leilão de energia também é menos complexo que se imagina. Segundo ele, esse produto será necessário até pela necessidade de se incluir as baterias. “Chegaremos em um momento em que teremos no mesmo parque solar, eólica e armazenamento”, avisa. O armazenamento traria a possibilidade de se optar –  no caso de compra de energia ocasionada quando não se pudesse atender a garantia física- seria mais barata do que uma compra no mercado de curto prazo. “Você pode ter um sistema híbrido ‘três em um’, com eólica, solar e armazenamento”, aponta.

As discussões estão acontecendo e os projetos de Pesquisa & Desenvolvimento também. Um é o de Fernando de Noronha, de solar com armazenamento. Para o presidente da EPE, o empreendimento híbrido pode ficar mais competitivo, já que a geração seria estabilizada e não ocorreria flutuação. “Na hora que os empreendedores apresentarem alternativas viáveis do ponto de vista econômico financeiro se discute como vamos incorporar isso na matriz e regular”, observa.

A partir do momento em que os projetos estiverem maduros a ponto de serem ofertados no mercado, Barros conta que poderá ser considerado no planejamento a realização de um leilão híbrido. “Isso é uma tendência, no Brasil vai ser muito bom”, conclui.

A previsibilidade dos leilões foi um tema reforçado no painel pelo presidente da EPE. Ele já revelou que quer antecipar o cronograma dos leilões de modo a dar mais tempo para que os investidores se planejem com antecedência. O secretário de Planejamento e desenvolvimento energético do Ministério de Minas e Energia, Eduardo Azevedo, também foi na mesma tendência, sugerindo colaborar com a EPE para transformar o PDE em uma espécie de plano de negócios.