Para EPE, planejamento energético deve sofrer ajustes

Cenários idealizados que não viraram realidade acabaram por trazer impactos à tarifa

Em painel realizado nesta quarta-feira, 8 de agosto, na nona edição do Brazil Wind Power, no Rio de Janeiro, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Reive Barros, defendeu que sejam reavaliadas determinadas premissas adotadas no planejamento energético. O objetivo, segundo ele, é o de se ajustar o atual cenário à realidade, que vem se apresentando de modo diferente ao idealizado, impactando no valor da tarifa. “Estamos revisitando as premissas que foram estabelecidas na época. Contava-se com determinado nível de reservatórios, de séries históricas para dimensionar o sistema, todos os itens precisam ser reconsiderados para que eles fiquem mais próximos da realidade”, afirma.

Ele dá como exemplo o fato de que não se previa há dez anos que o período seco seria todo com bandeira vermelha, como está se sinalizando agora. Até então, era possível pensar que em até no máximo três meses se usaria o parque térmico contratado, o que acabou por não acontecer. “Já estamos assim há sete anos, a utilização desses parques da forma como eles foram contratados está levando a um custo e um impacto muito grande na tarifa, temos que reavaliar”, aponta.

No painel, o presidente da EPE elogiou a trajetória da fonte eólica no Brasil, que em dez anos vai chegar a 14% da matriz brasileira. “É um setor que veio para ficar”, avisa. Ele lembrou ainda que apesar do momento difícil da economia, no médio e no longo prazo as perspectivas de crescimento são boas.