Uso de térmicas provoca explosão de encargo em setembro

Agentes terão que ratear conta de R$ 245 milhões por causa da geração fora da ordem de mérito

O despacho térmico fora da ordem de mérito no mês de setembro gerou uma conta de R$ 245 milhões a ser cobrada via Encargo de Serviço do Sistema (ESS-SE). Por regra, essa conta é dividida por todos os agentes do setor elétrico. Além disso, a classe dos consumidores ainda terão que arcar sozinho com um custo adicional de R$ 30 milhões do ESS gerado por restrições operativas, quando há alguma restrição que afeta o atendimento da demanda em um submercado ou a estabilidade do sistema. No total, a conta do ESS somou R$ 275 milhões em setembro, contra R$ 28,8 milhões em agosto.

A geração fora da ordem de mérito foi solicitada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) e autorizada pelo Comitê de Monitoramento Setor Elétrico (CMSE). Dessa forma, mesmo com o Custo Marginal de Operação (CMO) médio de R$ 428,06/MWh no período, o CMSE autorizou o despacho de usinas com custo de até R$ 766,28/MWh. A ação teve como objetivo guardar água nos reservatórios das hidrelétricas.

Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o ESS previsto para outubro é de R$ 54 milhões. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira, 1º de outubro, no InfoPLD.

ÁGUA NO RESERVATÓRIO

De acordo com Camila Giglio, gerente de Preços da CCEE, setembro foi o mês que apresentou melhor afluência comparando com o desempenho de julho e agosto deste ano.  A Energia Natural Afluente (ENA) em setembro ficou assim: Sudeste/Centro-Oeste (83%), Sul (98%), Nordeste (40%) e Norte (73%).

Entretanto, mesmo com a geração térmica adicional e a carga realizando 510 MW médio abaixo do previsto, houve uma redução na energia armazenada máxima nos reservatórios equivalentes, que fecharam o mês de setembro assim: SE/CO 23% (-4,9%), Sul 48,4$ (+6,3%), NE 28,7% (-3,2%) e Norte 40,2$ (-13,4%).

MENOS CHUVA, MAIS GSF

Como a hidrologia segue abaixo da média história, a CCEE estima que o ajuste do Mecanismos de Realocação de Energia (MRE) será de R$ 80,1% em 2018, o que deverá levar a um impacto financeiro negativo estimado em R$ 38 bilhões no setor elétrico, sendo R$ 25 bilhões pagos pelos agentes do mercado regulado e R$ 13 bilhões, pelo mercado livre.

A previsão de ajuste do MRE está em 64% em outrubro, contra 56,7% realizado em setembro deste ano. A boa notícia é que a projeção do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) anual para o Sudeste iniciou uma trajetória de queda: antes estimado em R$ 316/MWh, agora em R$ 310/MWh.