Coelho Filho fala em avançar na pauta de mudanças do setor no Congresso

Após encontro com o ministro Bento Albuquerque, deputado disse que a tramitação pode ser acelerada nos pontos em que houver convergência

O ex-ministro de Minas e Energia Fernando Coelho Filho (DEM-PE) disse a jornalistas que tem conversado com representantes de associações e de empresas, e a ideia é fazer com que a pauta de mudanças no setor elétrico avance no retorno do Congresso Nacional. “Evidentemente, a gente quer ouvir o governo, ver o que pensa o ministro e os novos secretários para, onde tiver convergência, a gente poder acelerar o quanto antes”, afirmou Coelho, que foi reeleito deputado  nas últimas eleições.

De volta a Brasília, o ex-ministro esteve no MME para um primeiro encontro com o ministro Bento Albuquerque nesta terça-feira, 15 de janeiro. Na conversa, segundo ele, entraram assuntos como a Lei do Gás e a Consulta Pública 33, que prevê a reestruturação do modelo comercial do setor elétrico, mas não se aprofundou em nenhum tema específico.

“Só falei que tinham temas que estavam no Congresso que, na visão do antigo governo, eram importantes para o setor de energia. Que era importante que ele e a equipe também pudessem ver os projetos que estão tramitando, e aí, evidentemente, não vai ter concordância em tudo”, relatou Coelho, que se ofereceu para “ajudar naquilo que for de interesse do governo”, na busca de um meio termo onde houver discordâncias. Para o ex-ministro, o importante é que a pauta tenha algum avanço.

Angra 3

Coelho Filho  disse que espera uma solução para Angra 3 e lembrou que sempre defendeu a conclusão da usina nuclear. Ele também destacou o avanço obtido por seu sucessor, Moreira Franco, com a aprovação pelo Conselho Nacional de Política Energética de um preço de referência R$ 480,00/MWh  para a energia da usina. O preço de Angra 3 em outubro passado estava na faixa de R$ 240/MWh.

Um grupo de trabalho vinculado ao Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos foi criado na época para aprofundar, nos últimos meses do ano, os estudos para a retomada das obras da usina. A ideia era de que o edital da licitação para a escolha de um parceiro para o empreendimento pudesse ser lançado em 2019.

Estudos da Eletronuclear citados pelo Tribunal de Contas da União concluíram que o custo final de Angra 3 pode ultrapassar R$ 25 bilhões, considerando o que já foi investido. Para a conclusão, seriam necessários investimentos da ordem de R$ 17 bilhões. Se o projeto não for concluído, o custo de desmontagem do que já foi feito é de de R$ 12 bilhões. As obras estão paralisadas desde 2015, quando surgiram denúncias de corrupção dentro da Operação Lava Jato.