Brumadinho: Retiro Baixo para nesta terça-feira, Furnas prepara manobras operacionais

Estatal reforça que a interrupção da geração na usina hidrelétrica, em função da chegada da lama, não trará prejuízos ao SIN

A paralisação da usina Retiro Baixo (82 MW – MG), em decorrência do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, foi confirmada para esta terça-feira, 29 de janeiro, em atendimento à determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico. Segundo Furnas Centrais Elétricas, operadora da hidrelétrica ao lado da Cemig, a interrupção das operações ‪“tem por objetivo proteger os equipamentos”, e não trará prejuízos ao fornecimento de energia elétrica para o Sistema Interligado Nacional. Além de paralisar as operações do empreendimento, as empresas irão realizar manobras para fechar as tomadas de água.‬

‪De acordo com nota divulgada à imprensa no final da tarde desta segunda-feira (27), a geradora estatal informa que, no momento, ainda não é possível determinar os impactos que a chegada da lama de rejeitos de minério trará do ponto de vista dos procedimentos operacionais da usina. Os trabalhos, diz o comunicado, visam resguardar a segurança da população do entorno, do meio ambiente local e dos equipamentos da hidrelétrica. “A Retiro Baixo Energética esta avaliando o deslocamento e a densidade da lama que segue em direção à usina. Não há risco estrutural para a barragem”, informou Furnas.‬

‪A espessa lama que se desloca ao longo da bacia do Rio Paraopeba pode se estender, no âmbito energético, além da UHE Retiro Baixo. Caso isso ocorra, o volume de rejeitos chegaria também à usina de Três Marias (‬396 MW – MG), operado pela Cemig. Dessa forma, a lama atingiria o Rio São Francisco. A Chesf, operadora das usinas hidrelétricas situadas na parte Nordeste da bacia do principal rio da região, está acompanhando o decorrer da movimentação do caso com atenção. Ações preventivas, como o monitoramento da qualidade da água em diversos pontos do São Francisco, já estão sendo tomadas pela companhia em conjunto com a Agência Nacional de Águas.

“Temos a expectativa de que a lama não ultrapasse a hidrelétrica de Três Marias, no caso dela seguir além da estrutura da usina de Retiro Baixo. Por enquanto não dá para ter certeza do que poderá acontecer, já que a previsão é que esses rejeitos cheguem em Retiro Baixo a partir do próximo fim de semana”, avalia o presidente da Chesf, Fábio Lopes. O boletim informativo mais recente divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil, que está à frente do trabalho de monitoramento pelo governo, aponta que a lama estará em Retiro Baixo entre 5 e 10 de fevereiro, podendo alcançar Três Marias aproximadamente dez dias depois.