Vega Energy não faz mais parte do quadro de associados da Abraceel

Comercializadora deixou rombo milionário no mercado de curto prazo de energia

A comercializadora Vega Energy não faz mais parte do quadro de associados da Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel), informou a diretoria executiva da entidade em comunicado divulgado nesta segunda-feira, 4 de fevereiro. “Informamos que a Vega Energy não faz mais parte do quadro de associadas da Abraceel, pois, contatada diretamente pela Diretoria Executiva, com aprovação por unanimidade do Conselho da Abraceel, solicitou imediato desligamento da associação.”

A Vega foi surpreendida com a disparada do preço da energia no início neste ano, o que deixou a empresa com uma exposição milionária no mercado de curto prazo de energia nos meses de janeiro e fevereiro. Na última sexta-feira, 1° de fevereiro, houve o vazamento de uma lista com os valores e os nomes dos credores da Vega. A Agência CanalEnergia teve acesso à lista com mais de 50 nomes de comercializadoras e aponta para uma conta superior a R$ 180 milhões.

“A Abraceel – a despeito de não se envolver nas operações comerciais dos agentes e não ser parte do processo – manifesta veemente repúdio a todas as ações que não se coadunem com as boas práticas comerciais, de gestão de risco e de segurança de mercados pelos agentes que atuam no setor elétrico brasileiro, conforme expresso com clareza em seu Estatuto Social e no Código de Ética e Conduta aos quais estão submetidas as suas associadas”, escreveu a entidade.

O presidente da Vega, Abenaias Silva, disse que nunca comeu fraude ou agiu de má fé, mas reconheceu o erro de estratégia e disse que ele e seus sócios vão trabalhar para minimizar os impactos no mercado. Vale destacar que, apesar de ser uma soma vultuosa, tal potencial prejuízo é muito pequeno se considerar o tamanho do mercado livre que negocia por mês um volume de R$ 4 bilhões.

A preocupação do mercado de energia, porém, é que outras comercializadoras estejam na mesma situação que a Vega, ou seja, passíveis de ficarem com um alto nível de exposição em decorrência do aumento do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). “O impacto financeiro da Vega poderá ser o gatilho necessário para rever a regulação novamente, mas, registra-se que a exposição faz parte de um risco de possível previsão da empresa”, disse o advogado Urias Martiniano Garcia Neto, do escritório Tomanik Martiniano. “Nesse sentido, eventual alteração na regulação deve ser acompanhada de uma alteração sistemática e não adoção de medidas urgentes e pontuais desordenadas”, completou.

Abenaias Silva, da Vega Energy, admite erro de estratégia, mas quer reduzir impacto no mercado