Executivos veem saída de mais consumidores do grid, aponta estudo

Pesquisa anual da Accenture indica que 95% das empresas deverão enfrentar a continuidade da expansão da geração distribuída em todo o mundo

A mais recente edição do estudo Digitally Enabled Grid, da Accenture, revelou que 95% dos executivos de concessionárias concordam que, ao longo dos próximos dois anos, os consumidores de energia elétrica irão optar cada vez mais pelo abastecimento off-grid e usar a rede apenas em situações de emergência.

Esse comportamento decorre da implantação da geração distribuída, em um ritmo acelerado, superior à capacidade de construção de novas redes pelas concessionárias. Dos 150 executivos entrevistados em 25 países, incluindo o Brasil, quase metade, ou 48% afirmou que parte de suas redes de abastecimento chegará à capacidade máxima em até três anos, enquanto apenas 1% acredita que isso levará mais de cinco anos.

Na versão anterior, 58% de um universo de 100 executivos acreditavam que, em 2030, a GD levaria à redução de receitas. Segundo o estudo, esse sentimento estava atribuído ao avanço dessa modalidade de produção de energia incluindo baterias solares fotovoltaicas residenciais e a combustível.

A proporção de consumidores residenciais e comerciais usando energia solar fotovoltaica nos mercados analisados pode ultrapassar a marca de 15% até 2036 em algumas regiões, como a Califórnia. A tendência, aponta, provavelmente continuará a afetar o crescimento da demanda líquida de eletricidade no futuro próximo.

O estudo também observa que o aumento da implantação de GD irá dificultar as operações das concessionárias, exigindo que as empresas do setor tomem medidas para evitar os gastos excessivos de reforço da rede necessários para administrar novos fluxos de energia da GD.

De acordo com a modelagem da Accenture, alguns mercados poderiam gerar uma economia de custos significativa para reforço de capital simplesmente por meio de uma melhor identificação das restrições locais na rede de distribuição. Um aumento de 10% na precisão das previsões da GD resultou em uma economia projetada de 15% a 28% em Nova York, 14% a 18% na Califórnia, 14% a 15% na Austrália e 11% a 12% no Reino Unido e na Holanda.

A integração da GD aparece como a segunda área de maior prioridade entre diferentes oportunidades de economia de custos e foi citada por 59% dos entrevistados como uma de suas cinco principais opções. A prioridade absoluta, segundo 61% dos entrevistados, é reduzir os custos unitários da cadeia de suprimentos por meio de previsões aprimoradas de materiais e solicitações de serviço.

A GD, ao mesmo tempo que representa um desafio para as empresas de distribuição, traz diversas oportunidades. Entre os entrevistados, 95% afirmam que a prestação de serviços de GD e de armazenamento será uma das principais áreas de crescimento de lucros para as empresas de distribuição depois de 2025. Mais da metade dos entrevistados em todo o mundo também identificou os seguintes ativos como uma oportunidade para seus negócios: GD em grande escala, armazenamento conectado à rede, prosumidores de GD em pequena escala e armazenamento comunitário.

Expansão do consumo

O estudo identifica por meio da modelagem da consultoria um crescimento potencial da demanda por eletricidade de até 31% entre os anos de 2026 e 2036, após um período de estagnação. O estudo e a modelagem atribuem, em parte, o crescimento ao impacto significativo dos veículos elétricos e da eletrificação do aquecimento de edifícios no aumento da demanda, começando por volta de 2025.

Mas o aumento a porcentagem de veículos elétricos plug-in em relação ao número total de veículos deverá ser lento, é previsto em 1% em 2019 e 3% até 2025, podendo chegar a 37% até 2040, liderada por ônibus municipais, scooters e pequenos veículos comerciais.

A descarbonização dos edifícios também deve aumentar a demanda por eletricidade em longo prazo, com 96% dos executivos de concessionárias concordando que esse processo reduzirá significativamente a demanda residencial e comercial por gás natural até 2040.

Apenas os efeitos combinados da eletrificação de transporte e de aquecimento poderiam elevar significativamente a demanda de pico, com os dados da Accenture sugerindo que o consumo médio de eletricidade no horário de pico poderia aumentar aproximadamente 63% em relação a 2016 em 2040.