MME se reúne com Conselho de Defesa Nacional para tratar do linhão de Boa Vista

Meta do Governo é conseguir a licença de implantação do empreendimento até junho

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, anunciou que se reunirá com o Conselho de Defesa Nacional nesta quarta-feira, 27 de fevereiro, para tratar do licenciamento da linha de transmissão em 500 kV Manaus-Boa Vista. Licitada em 2010, o empreendimento é estratégico para o país para tornar o estado de Roraima independente energeticamente da Venezuela. Boa Vista é a única capital brasileira que não está conectada ao Sistema Elétrico Nacional (SIN) e depende de geração térmica e da Venezuela para atender a demanda.

O projeto, contudo, enfrenta resistência da população indígena local, que não concorda com o traçado do projeto. Segundo o ministro, o problema será tratado de forma bastante técnica, respeitando a importância do meio ambiente.

“O motivo da reunião de hoje com o Conselho de Defesa Nacional em Brasília é justamente para nós viabilizarmos, com toda segurança jurídica e respeito ao meio ambiente, a licença de implantação do linhão que vai conectar Manus à Boa Vista. Todos estão acompanhando o drama do estado de Roraima e não podemos ter, por exemplo, um projeto que foi aprovado em 2010, que é essa linha de transmissão, e estar em 2019 e não termos a sua licença de instalação”, disse Albuquerque em evento promovido em São Paulo pelo banco BTG Pactual.

“Vamos tratar de forma bastante profissional e respeitosa tudo aquilo que nós somos signatários no que diz respeito ao meio ambiente, para que a gente possa cumprir os prazos estabelecidos nos planejamentos que foram feitos”, completou o ministro, adiantando que o prazo que está de trabalhando para conseguir a licença de instalação é até junho.

O projeto tem 720 quilômetros de extensão e deveria estar pronto desde 2013, de acordo com o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior. A Eletrobras é acionista do empreendimento com 49% e a Alupar, com 51%, manifestou interesse em sair do projeto. Ferreira contou que a empresa está “com grande interação com os índios” e que uma vez liberada a licença de instalação, o projeto de R$ 2 bilhões poderia ficar pronto em ano. “O que é importante no que o ministro colocou é o nível de prioridade que está se dando a esse tema”, destacou.