Ministro afirma que eventual venda de ativos da Eletrobras deve ocorrer ainda esse ano

Bento Albuquerque reforçou que a ideia é definir o modelo de capitalização da estatal em junho

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse em café da manhã com jornalistas nesta quinta-feira, 21 de março, que pretende concluir até junho o modelo de capitalização da Eletrobras para iniciar ações concretas a partir dessa data e, se algum ativo da estatal tiver de ser privatizado, isso deve acontecer ainda em 2019. Albuquerque reforçou que o processo vai resultar em perda do controle da União e explicou que há poucas possibilidades em relação ao modelo de privatização.

Essas possibilidades, completou, continuam sendo tratadas no ministério com a participação da Eletrobras, e também no Ministério da Economia. “Não existe ainda um modelo fechado. E também, em relação a prazo, a intenção do governo é findar esse processo neste ano de 2019.”

O ministro reconheceu que a prioridade do governo é a reforma da Previdência, mas isso não impede que o MME continue a conduzir as ações prioritárias, entre elas o processo da Eletrobras.

Mercado do Gás

Bento Albuquerque também anunciou que o governo terá a agenda do Novo Mercado de Gás, nome com o qual o MME rebatizou a iniciativa Gás para Crescer. “Essa agenda não depende só do governo. Depende também das empresas e, no caso particular, da Petrobras, que é vinculada ao Ministério de Minas e Energia, do órgão regulador, a Agência Nacional do Petróleo, e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)”, acrescentou.

Ele destacou que tem conversado com todos os atores envolvidos na discussão da abertura do mercado de gás, inclusive com agentes privados. “Não sei se vai ter redução de 50% no custo da energia, porque é muito difícil quantificar isso no momento em que nos encontramos. Mas é importante ter um custo de energia que permita às empresas se tornarem cada vez mais competitivas”, disse ao ser perguntado sobre comentários feitos pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre redução dos preços do gás natural.

O ministro disse ainda que tem consciência de que o gás natural terá um papel importante na matriz energética brasileira, e isso é resultado não só do que está ocorrendo como do que vai acontecer a partir de 28 de outubro, com o leilão dos excedentes da cessão onerosa. A importância é não apenas pela localização das áreas de exploração no Sudeste, que é o maior mercado consumidor do país, como também pelo preço do produto, que está em um momento “propício para investimentos no setor” desde que os Estados Unidos se tornaram um grande exportador de gás.

Em um balanço de sua viagem nas últimas duas semanas por Canadá e Estados Unidos, o ministro contou que a conversa principal foi com o secretário do Departamento de Energia dos Estados Unidos, Rick Perry, com o qual tratou de cooperação no setor de energia. No encontro foi agendada reunião no Rio de Janeiro com técnicos do governo americano até o dia 20 de abril para tratar de diversos assuntos. Os principais serão petróleo e gás, energias renováveis e área nuclear.