Repactuação do risco hidrológico reduz impacto do GSF na SAE em R$ 725 milhões

Conta na UHE Santo Antônio decorrente da produção abaixo da garantia física chegou a R$ 817 milhões no ano passado

A repactuação dos efeitos financeiros do risco hidrológico no Ambiente de Contratação Regulado aliviou o peso negativo para a Santo Antônio Energia (SAE) da produção de eletricidade abaixo da garantia física ao longo do ano passado. A operadora da usina hidrelétrica Santo Antônio (RO – 3.568 MW) conseguiu reduzir em quase 50% o custo com o GSF nas contas do exercício de 2018, que acabou totalizando para a empresa R$ 817 milhões. Caso a conta não fosse repactuada pela regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica de 2015, o rombo aumentaria em mais R$ 725 milhões.

A conta da repactuação do risco hidrológico na geradora, de acordo com os resultados operacionais de 2018, leva em conta um Preço de Liquidação das Diferenças médio de R$ 287,83/MWh ao longo do ano passado na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Além disso, o custo final de R$ 817 milhões considera ainda um GSF médio de 84,4% em 2018 – ou seja, a empresa teve de buscar no mercado de curto prazo um volume de energia elétrica equivalente a 15,6% da garantia física do empreendimento para conseguir honrar seus contratos de comercialização.

“A economia com a repactuação foi significativa”, avaliou hoje o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Santo Antônio Energia, Nilmar Foletto, durante teleconferência com investidores para detalhar o mais recente balanço financeiro anual da companhia. Ele destacou ainda o efeito positivo obtido com a conclusão, no final do ano passado, do reperfilamento da dívida junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, no valor de R$ 9,7 bilhões. A operação permitiu a liberação de R$ 281 milhões de contas reservas retidas junto ao Banco do Brasil.

O executivo observou também que a queda da liminar do FID II na Justiça, além de causar reversão do Imposto de Renda Diferido, vai gerar um aumento nas despesas financeiras da empresa de aproximadamente R$ 750 milhões nos próximos anos, valor esse relacionado a operações transacionadas no mercado de curto prazo. O montante, segundo Foletto, será pago de forma escalonada, em 36 parcelas. A decisão judicial foi preponderante para o crescimento de 34% no prejuízo líquido da companhia, que passou de R$ 1,075 bilhão em 2017 para R$ 1,684 bilhão em 2018.