Copel Energia pede mais rigor na fiscalização do mercado livre

Empresa precisou tomar medidas judicias contra três comercializadoras inadimplentes e cobra da CCEE mais ação de monitoramento

O presidente da Copel Energia, Franklin Miguel, pediu mais rigor na fiscalização e monitoramento do mercado de comercialização de energia elétrica. A empresa, que faz parte do grupo estatal paranaense Copel, precisou tomar medidas judiciais contra três comercializadoras: Kion Trade, Bioenergia e FDR Energia. “Para evitar de pagar e não receber, tomamos essas medidas. No caso da FDR, tivemos que fazer a CCEE registrar nossos contratos até o final deste ano”, disse o executivo em entrevista concedida em evento realizado em Curitiba (PR).

O executivo cobrou uma atuação mais rigorosa por parte da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e da Agência Nacional de Energia Elétrica. “A câmara tem a obrigação institucional de monitoramento do mercado. Mas qual é o monitoramento que tem sido feito se ela não tem o book futuro, não sabe se as empresas estão alavancas, não verifica o volume energético que está sendo comercializado vis a vis seu capital social ou patrimônio líquido?”, criticou.

“Liguei para Aneel para denunciar essas três comercializadoras que estão inadimplentes comigo, até hoje não consegui fazer essa denúncia porque não existe um procedimento. A agência tem que tratar isso, porque é ela autorizou essas empresas a operarem no mercado”, disparou Miguel.

Ele defendeu critérios mais rigorosos para abertura de uma comercializadora. A exigência atual é que a empresa tenha um capital social de R$ 1,2 milhão, mas não há limite de alavancagem para operar. “O mercado tem que ser livre, mas responsável. Precisamos aumentar a régua”, sugeriu.

Desde que a inadimplência de algumas comercializadoras ganhou destaque no mercado, a Copel adotou uma postura mais restritiva em relação à política de crédito para comparar e vender energia de comercializadoras. Mas, destacou ele, essa medida traz como consequência a redução da liquidez do mercado.

“A tela da BBCE que tinha como produtos ano, meses, semestres, muita liquidez, está praticamente estática. A energia que rodava cinco vezes, desde fevereiro, não chega a três vezes e, se nada for feito, vai cair para uma vez. A liquidez é importante para ajudar a reduzir o preço da energia”, completou o executivo.

O vice-presidente de Estratégia e Novos Negócios da Electra Energy, Edvaldo Santana, confirmou que a liquidez do mercado está baixa por causa da maior restrição dos agentes em negociar nesse momento. “A liquidez que era de cinco veses, agora está em duas, mas está retomando aos poucos. Na Holanda e na Noruega, esse giro é de vinte vezes”, comparou o executivo, que também esteve na capital paranaense

* O repórter viajou a Curitiba a convite da Abrapch.