Cemig projeta endividamento em queda em 2019

Empresa continua a focar na venda de ativos considerados não estratégicos como a Gasmig, Santo Antônio e Light

A Cemig mantém em seu plano de desinvestimentos a UHE Santo Antônio, a Light e a Gasmig. Dentre esses três a última é que parece estar em processo mais adiantado enquanto o processo de alienação da usina no rio Madeira está paralisado. Independente desses processos a estatal afirmou que o seu endividamento já começa a dar sinais de queda assim como sua alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida sobre o ebitda, que deverá ficar abaixo de 3 vezes já este ano.
Essa previsão foi destacada pelo diretor de Finanças e de Relações com Investidores da empresa, Maurício Fernandes Júnior, em teleconferência com analistas e investidores referente aos resultados do primeiro trimestre do ano. “Este ano certamente ficará abaixo de três vezes e a gente já pode pensar no futuro da Cemig com maior ênfase”, disse ele.
O executivo confirmou que recentemente houve uma proposta chinesa pelo controle da UHE Santo Antônio (RO, 3.568 MW), um dos ativos que a empresa pretende alienar nesse processo de desalavancagem. Contudo, disse que não foi somente a estatal que considerou essa investida insatisfatória. Ele relatou que outros acionistas também não concordaram. “No momento a negociação está parada”, resumiu.
Já pela Light, ele relatou que a troca de conselho de administração da companhia, seu afastamento da presidência desse grupo, bem como a indicação da CEO Ana Marta Veloso, são sinais que a companhia dá ao mercado de afastamento da organização que controla. Contudo não revelou como deverá ser a venda seja por meio de follow on das ações ou venda diretamente a uma outra empresa.
Na Gasmig, disse ele, o processo de venda passa pela renovação da concessão por mais 30 anos, já que o atual contrato vence em 2023. “Não podemos vender uma empresa que tem o vencimento da concessão em três anos, não faz sentido”, disse ele. São dois caminhos a serem tomados nesse caso, a venda de 49% das ações que não obriga a alteração de lei ou de autorização do legislativo mineiro. Ou partir para a venda de 100% da empresa que depende da alteração da constituição do Estado ou referendo popular, caso não haja essa alteração.
Nas negociações foi estabelecida uma outorga de R$ 850 milhões a ser pago ao governo pela renovação da concessão. O valor será refletido na tarifa. Essa seria uma alternativa à opção que o governo mineiro havia dado como contrapartida à renovação do vínculo. Anteriormente foi estabelecido um compromisso de investir R$ 2 bilhões no segmento na região do Triângulo Mineiro, contudo o sócio privado da empresa desistiu da medida e a Gasmig seguiu essa decisão. Agora a Cemig procura renovar a concessão e vender a empresa de gás para focar em seu core business.