Eletrobras e empregados não chegam a acordo; greve está mantida

Empresa tenta tirar cláusula que impede a realização de demissão em massa de funcionários e oferece reajuste de 1,5%

Os empregados da Eletrobras não chegaram a um acordo sobre o reajuste salarial da categoria em reunião realizada na última quarta-feira, 22 de maio. Diante da falta de entendimento entre as partes, o presidente da Associação dos Empregados da Eletrobras (AEEL), Emanuel Mendes, disse à Agência CanalEnergia que está mantido o indicativo de greve de 72 horas começando no próximo dia 3 de junho.

A AEEL representa cerca de 14 mil empregados da Eletrobras. A empresa propõe um reajuste salarial de 1,5% enquanto os funcionários reivindicam aumentos entre 4,5% e 5%, argumentando que se trata apenas da correção da inflação do período entre maio de 2018 e maio de 2019. “Foi uma reunião muito ruim na nossa avaliação”, afirmou Mendes.

Outra pauta que dificulta a negociação salarial é que a Eletrobras não quer renovar uma cláusula do acordo coletivo que impede que a companhia realize demissões em massa. “Querem tirar essa cláusula e por trás disso está a privatização da Eletrobras, porque isso facilitaria a demissão dos trabalhadores. Não aceitamos essa proposta. A empresa está apostando no enfrentamento”, disse Mendes.

Os empregados pediram prorrogação das negociações por mais 30 dias. A Eletrobras ficou de dar uma posição ainda nesta quinta-feira, 23 de maio.

GARANTIA DE EMPREGO

Em reunião em São Paulo no início de abril, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, disse que sua meta era reduzir o quadro para 12 mil funcionários e mencionou a barreira do acordo coletivo. “O Plano Demissão Consensual (PDC) é a situação ideal porque temos um acordo coletivo de trabalho onde temos uma garantia de emprego aos empregados, não tem como tirar isso se não for com um novo acordo coletivo”, explicou.

Na avaliação de Ferreira, o setor administrativo é o que mais pode contribuir com a redução de pessoal. Em 2018, o custo com pessoal da Eletrobras representou R$ 5 bilhões, 12% a menos do que o verificado em 2017. Naquele ano, o Plano de Demissão Consensual teve adesão de 905 empregados, gerando uma economia de R$ 66 milhões em 2018.