Primeiro leilão de energia do governo Bolsonaro é realizado com sucesso

Certame para atender Roraima viabilizou nove novos empreendimentos, cuja potência nominal soma 293,8 MW

O primeiro leilão de energia do governo de Jair Bolsonaro foi realizado com sucesso nesta sexta-feira, 31 de maio, terminando com a contratação de 48,6 MW médios de energia inflexível ao preço médio de R$ 833/MWh. No total, foram viabilizados nove novos empreendimentos, cuja potência nominal soma 293,8 MW. As usinas precisam entrar em operação em 28 de junho de 2021, mas está previsto no edital a possibilidade de antecipação desse prazo. Os investimentos estão estimados em R$ 1,62 bilhão e os contratos de fornecimento variam de 7 a 15 anos. O deságio médio do leilão foi de 22,7%.

“Hoje é um dia muito especial, realizamos o primeiro leilão de energia do governo Bolsonaro. É bom dizer que isso foi uma prioridade que me foi colocada pelo presidente Bolsonaro desde que ele me convidou para o Ministério de Minas e Energia. Como todos sabemos, Roraima é o único estado brasileiro que não está conectado ao sistema nacional. O presidente determinou que tomasse todas as ações para que pudéssemos oferecer ao estado de Roraima aquilo que ele necessita e merece pelas condições que se encontram”, declarou o ministro Bento Albuquerque, em coletiva de imprensa em São Paulo.

A economia estimada com a realização do leilão em termos de custo de geração é de 35%, uma vez que o custo atual das térmicas a diesel é de R$ 1.287/MWh e a contratação foi feita ao custo médio R$ 833/MWh.

O presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Rui Altieri, explicou que custo total da geração a diesel de Roraima em 2018 alcançou aproximadamente R$ 625 milhões. Apenas de janeiro a março de 2019, esse custo somou R$ 225 milhões. Não foi possível estimar imediatamente qual será a redução da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) com a realização do leilão de hoje.

O governado de Roraima, Antonio Denarium (PSL), que também esteve presente no leilão, disse que a falta de segurança elétrica prejudica muito o desenvolvimento do Estado. Os frequentes blecautes deixam residências, comércio e indústria sem fornecimento de energia, compromete a comunicação do Estado e causam prejuízos diretos com a queima constantes de equipamentos.

“É muito importante lembrar que esse é um momento histórico para o Brasil, para o governo Bolsonaro e também para o estado de Roraima. Roraima é o único estado do Brasil que não está interligado ao sistema de energia elétrica. E com esse leilão, com o resultado de hoje, com muito sucesso, muita dedicação do ministro Bento Albuquerque, dedicação do presidente Bolsonaro e todos os órgãos envolvidos, terá uma redução muito significativa do custo de energia elétrica para Roraima, além de aumentar a segurança energética. A segurança energética vai ser para os investidores que estão em Roraima e para atração de novos investidores”, discursou Denarium.

Ricardo Cyrino, secretário de Energia Elétrica do MME, disse que a demanda máxima do estado está em torno de 240 MW e hoje há 217 MW em térmicas operando. Em 2021, com a entrada das novas usinas, o estado vai contar com energia suficiente para não mais precisar de energia da Venezuela. O contrato com o país vizinho termina em junho de 2021 e não se sabe se será renovado. Desde março deste ano, a Venezuela deixou de fornecer energia para o Brasil por problemas de manutenção da linha de transmissão que conecta os dois países.

O diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, explicou que está sendo desenhado um modelo de despacho para essas usinas que foram contratadas neste leilão, de modo que o despacho será feito pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), com o objetivo de garantir eficiência, isonomia, segurança e transparência no uso dessas usinas.

Não há nada definido de que o modelo deste leilão (com separação de lastro e energia) será replicado para os leilões nacionais. “Temos que avaliar o resultado do leilão e, partir desse momento, com os resultados que foram alcançados aqui, pode ser sim que seja considerado na revisão da reforma do setor”, disse Feitosa.

O leilão de Roraima começou a ser desenhado ainda no governo do presidente Michel Temer, muito em função dos frequentes blecautes no estado por conta de falhas no fornecimento por parte da Venezuela. Cerca de 50% da energia do estado brasileiro era atendida pelo país vizinho.

O MME também trabalha junto com a Eletrobras, Alupar e Aneel para viabilizar a construção do linhão de Boa Vista, que vai permitir que a capital seja conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Até lá, o Estado segue consumindo 1 milhão de litros de óleo diesel por dia. No ano passado, os consumidores tiveram que ratear um conta de R$ 1,9 bilhão para arcar com os custos de CCC.