Audiência vai discutir adequação de procedimentos para entrada do Dessem em 2020

Modelo será aplicado pelo ONS a partir de janeiro, na primeira etapa de implantação do preço horário

A Agência Nacional de Energia Elétrica vai abrir audiência pública nesta quinta-feira, 8 de agosto, com a proposta de adequação dos Procedimentos de Rede à implantação do Modelo de Despacho Hidrotérmico de Curtíssimo Prazo (Dessem) na programação diária de operação do Sistema Interligado. O Dessem será aplicado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico a partir de janeiro de 2020, na primeira fase de adoção do preço horário, conforme determinado por portaria do Ministério de Minas e Energia.

A decisão de implantar o novo modelo de operação e de formação de preço em base horária foi tomada pelo MME em 31 de julho, durante reunião com o grupo de trabalho da Comissão Permanente para Análise de Metodologias e Programas Computacionais do Setor Elétrico (CPAMP). Ele será implantado em duas fases, sendo a primeira no ano que vem e a segunda em janeiro de 2021, quando a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica vai adotar o Dessem no cálculo do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), na contabilização e na liquidação do Mercado de Curto Prazo.

O uso do modelo na programação do ONS vai reduzir assimetrias de informações e permitir maior previsibilidade e “reprodutibilidade [dos dados] por parte dos agentes.” Em resumo, a proposta busca aproximar o modelo matemático da realidade operativa do sistema, o que tem reflexos também na formação de preço. Até 31 de dezembro de 2019 o operador terá que divulgar diariamente o Custo Marginal de Operação e as diretrizes de despacho das usinas, além de dados operativos com granularidade semi-horária, resultantes da Operação Sombra para a programação da operação.

Segundo a Aneel, o processo de implantação do Dessem compreende atividades como as definições metodológicas e de representação do sistema elétrico na programação diária de operação e na formação de preço; definições dos insumos necessários à configuração dos dados para execução diária do modelo nos processos de previsão de carga, vazões e geração eólica e solar; revisão dos Procedimentos de Rede e das Regras de Comercialização na CCEE e alterações legais e regulatórias associadas às decisões da CPamp.

Além da programação diária de operação, os ajustes nos Procedimentos de Rede incluem aspectos como previsão de carga, hidrologia e gestão de dados hidroenergéticos, relação de sistemas e modelos computacionais e diretrizes e critérios para estudos energéticos. A agencia reguladora vai receber contribuições até o dia 6 de setembro.