Ministro nega risco de “apagão” em Angra 1 e 2 por falta de combustível

Contingenciamento orçamentário pode afetar atividade industrial da INB em 2020, e aumento da importação do exterior pode ser a alternativa

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou em conversa com jornalistas que as usinas nucleares Angra 1 e 2 não correm o risco de parar no ano que vem por falta de combustível, em consequência do contingenciamento orçamentário da Indústrias Nucleares do Brasil. Albuquerque disse que a Eletrobras e a Eletronuclear vão tomar as medidas necessárias para garantir a operação das usinas, caso a INB tenha dificuldade de realizar o suprimento, e a alternativa seria importar uma quantidade maior de combustível do mercado externo. “Em relação a apagão, não há previsão nenhuma”, descartou, afirmando que isso já foi feito no passado.

Segundo nota técnica enviada pelo MME ao Ministério da Economia, o corte no orçamento da estatal responsável por fornecer parte do combustível nuclear usado nos empreendimentos pode prejudicar sua atividade industrial em 2020. O ministro disse que não conhece os termos da nota, mas reconheceu que é papel do ministério alertar a área econômica sobre eventuais consequências do contingenciamento orçamentário na produção da INB. “Isso está sendo participado, e aí, evidentemente a Eletrobras, por meio da Eletronuclear, vai adotar as medidas necessárias para que as usinas tenham combustivel para manter sua geração”, disse nesta quinta-feria, 22 de agosto.

O Brasil ainda não é autossuficiente na produção de combustível nuclear, com uma volume que não chega à metade do total necessário. O restante é importado. Há um planejamento estratégico por parte da INB para que ela possa fabricar todo o combustivel necessário de Angra 1, 2 e 3 (que deve ter suas obras retomadas em 2020 para entrar em operação em 2026) e, quem sabe, até exportar, como já exportou para Argentina, disse Albuquerque. Ele destacou que isso vai depender de investimentos.