Unifei recebe Romeu Zema para discutir sobrevivência de centro de pesquisa

Universidade busca apoio político do governo federal para estruturar novo modelo de negócio para o empreendimento

A Universidade Federal de Itajubá (Unifei), entidade que é referência em engenharia elétrica, recebeu na semana passada o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), e sua comitiva, para discutir alternativas que garantam a sobrevivência de um complexo de laboratórios de sistemas elétricos na região, cujas obras foram paralisadas neste ano por falta de recursos. O complexo laboratorial do Instituto Senai de Inovação em Sistemas Elétricos foi projetado para ser uma referência em pesquisa para energias renováveis.

A Unifei tem buscado se articular politicamente para evitar que o empreendimento seja abandonado, por entender que a obra é estratégica para o desenvolvimento de novas tecnologias na área de infraestrutura de energia. Além do governador, diversas autoridades estiveram presentes na reunião, incluindo secretários de governo, o deputado estadual Dalmo Ribeiro Silva (PSDB-MG), o prefeito de Itajubá Rodrigo Riera (PMDB), o ex-presidente do CNPq, prof Mario Neto, senador Carlos Viana (PSD-MG), o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, entre outras autoridades.

“Energia é a questão básica quando se fala em infraestrutura. Não se tem desenvolvimento em infraestrutura se a gente não partir da energia. É por isso que a gente tem que ter como ponto de partida um laboratório que, além de prestar serviços para o desenvolvimento de equipamentos de grande porte, a gente precisa fazer P&D nessa área e sem ter um laboratório como esse fica difícil”, disse o reitor da Unifei, Dagoberto Alves de Almeira, em entrevista à Agência CanalEnergia nesta segunda-feira, 9 de setembro.

O projeto será um dos setes maiores laboratórios do mundo em pesquisa e desenvolvimento de novos equipamentos para o setor elétrico. A paralisação da obra foi noticiada pela Agência CanalEnergia no dia 2 de agosto. O empreendimento está orçado em R$ 438 milhões e no plano de negócio inicial consta que são responsáveis pelo financiamento da obra a CODEMGE (R$ 32 milhões), a FAPEMIG (R$ 40 milhões), a Aneel (R$ 152 milhões), o BNDES (R$ 198 milhões) e o Senai/CNI (R$ 16 milhões). As obras do projeto começaram em 2015. Cerca de R$ 41 milhões já foram consumidos.  O cronograma original prevê que a obra será entregue em 2021.

As obrigações do governo de Minas Gerais somam R$ 72 milhões (FAPEMIG e CODEMIG). Os recursos da Aneel dependem da concessionária de energia Cemig, por se tratar de recurso do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). A FIEMG e Senai-MG teriam que desembolsar R$ 16 milhões de recursos próprios, além de assumir a responsabilidade do empréstimo junto ao BNDES. Na reunião, Zema teria argumentando que o laboratório é de interesse nacional, mas que o estado não tem condição de aportar recursos no projeto em meio a situação fiscal que o estado se encontra.

A sobrevivência do empreendimento depende, portanto, da construção de um novo modelo de negócio. Como solução, o reitor da Unifei sugeriu a possibilidade de empresas nacionais participarem do financiamento. Sugeriu também que recursos adicionais provenientes do fundo de petróleo e gás da Agência Nacional do Petróleo (ANP) sejam considerados. Segundo o reitor, centenas de plataformas marítimas que o país tem em alto mar para a extração de petróleo precisarão passar por um processo de modernização de equipamentos e instalações a partir de 2020, sob pena de descomissionamento. O valor de cada plataforma está estimado em US$ 1 bilhão, sendo 15% dos equipamentos são elétricos, ou US$ 600 milhões.

A Unifei também se colocou à disposição para apoiar na gestão do projeto e contribuir tecnicamente. Assim como o Senai, a universidade possui a prerrogativa de importação de equipamento de tecnologia sem taxação alfandegaria, além de ser credenciada a participar das demandas de pesquisa e desenvolvimento das agências reguladoras e de fomento. No entanto, a Unifei não teria condições de aportar dinheiro no projeto.

Segundo Almeida, a solução mais rápida seria que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) assumisse as responsabilidades do projeto que hoje recaem sobre Senai-MG. No entanto, segundo vídeo divulgado por Rascoe e o qual a reportagem teve acesso, a CNI não teria interesse em assumir essa responsabilidade.

A expectativa da Unifei e do município de Itajubá é que o Governo de Minas Gerais, deputados e senadores mineiros se articulem politicamente para sensibilizar setores do governo federal como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; o Ministério de Minas e Energia; o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; o Ministério da Infraestrutura e o Ministério de Educação, a fim de evitar o cancelamento do empreendimento.

“Tudo isso só vai ser possível se houver vontade política tanto do governo do estado de Minas Gerais quanto no convencimento da esfera federal”, disse Almeida. “O problema do Brasil não é falta de dinheiro, mas sim priorizar aquilo que é importante. Nós da universidade que defendemos pesquisa, ciência, tecnologia e inovação entendemos que apoiar um laboratório como esse é fundamental para a soberania nacional”, disse o reitor da Unifei.

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