Cemig-GT adota sistema de análise de oscilografias do Cepel

Plataforma possui interfaces e ferramentas avançadas para análise de ocorrências como desligamentos, faltas e outros fenômenos do sistema elétrico, focado em agilizar o processo de análise para engenheiros especialistas

Com um dos maiores parques de registradores digitais de perturbação do país, a Cemig-GT fez recentemente uma licitação para o fornecimento de equipamentos de oscilografia digital, cuja vencedora, General Electric (GE), escolheu o Sistema de Gerenciamento e Análise Automática de Oscilografia desenvolvido pelo Cepel, o SINAPE.Net, para suportar o gerenciamento das informações coletadas.

De acordo com o engenheiro de Proteção da Cemig GT, Weber Melo de Sousa, a empresa optou pelo Sinape por identificar nele funcionalidades que atendem a necessidades imprescindíveis à operação do SEP (Sistema Elétrico de Potência). “Localização de faltas em linhas de transmissão, utilizando dados de dois terminais, análise espectral, análise de componentes simétricas, supervisão de grandezas analógicas e digitais”, elenca Weber, ressaltando que o novo sistema colabora para o aumento da confiabilidade e disponibilidade das funções de transmissão e de geração, bem como agrega agilidade no restabelecimento dessas funções após as perturbações.

O SINAPE.Net é um sistema cliente-servidor que possui interfaces e ferramentas avançadas para análise de ocorrências, como desligamentos, faltas, religamentos e outros fenômenos do sistema elétrico. Sua concepção teve como foco agilizar o processo de análise, permitindo ao engenheiro especialista entender melhor as causas dos eventos, minimizando o esforço de recolher e selecionar arquivos de dados.

Para o pesquisador do Cepel, Marco Antonio M. Rodrigues, o principal motivador para o desenvolvimento do projeto foi a necessidade de se gerenciar e analisar uma quantidade massiva de arquivos de oscilografia que chegavam aos repositórios das empresas, fruto da maior disponibilidade da função de registro de perturbações em RDPs (Registradores Digitais de Perturbação) dedicados e em IEDs multifuncionais, além da exigência legal de que todo o barramento da rede básica fosse monitorado com esse tipo de medição.

Marco Antonio salientou que o programa vem sendo desenvolvido desde o ano 2000 e tem atraído o interesse das empresas do sistema elétrico brasileiro em função de sua robustez e facilidades de análise, inclusive automática, e ao “fato de atender à realidade de quadros mais reduzidos de profissionais dedicados a essa tarefa”. Ele acrescenta também que o sistema já é utilizado por várias empresas do setor, como Furnas, Eletrosul, Cteep e Light e também pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Diferenciais e novas funcionalidades

A solução foi desenvolvida usando o que há de mais moderno em tecnologia de sistemas computacionais, como a programação em HTML5 e JavaScript, permitindo uma interface ágil e completa, além da utilização de ferramentas de georreferenciamento para visualização da localização das faltas. Aliado a isso, os algoritmos para análise de arquivos de oscilografia, desenvolvimento de décadas da equipe, estão incorporados ao sistema.

Na avaliação do pesquisador do Centro, André Miranda, é interessante constatar, a partir dos dados brutos de oscilografias digitais, muitas outras informações extremamente úteis. “Existe a possibilidade de filtrar os eventos com registros de desligamentos em linhas de transmissão, distinguindo-os dos eventos com registros de perturbações em outras linhas, a determinação das coordenadas da falta a partir do cálculo da distância da falta, ou mesmo a estatística de funcionamento do parque de oscilógrafos da empresa”, complementa

Outro colaborador do Cepel, João Câncio de Oliveira, destaca que as equipes do SINAPE.Net e do SAGE-PDC, o Concentrador de Dados Sincrofasoriais do Sistema Aberto de Gerenciamento de Energia, estão trabalhando em conjunto com o objetivo de oferecer uma visão de multirresolução no tempo, agregando aos sinais de oscilografia os dados de medições sincrofasorias e os eventos de supervisão SCADA. “Essa integração dará aos usuários uma visão mais global e sistêmica dos eventos e envolve diferentes produtos do Cepel, sendo viabilizada com a utilização das mais recentes tecnologias, tais como microsserviços e banco de dados de sequências temporais acessíveis através de uma interface gráfica moderna”, afirma.