Bolívia segue com planos de integração energética com Brasil

Grupo binacional estuda hidrelétrica no Madeira. País quer exportar energia para vizinhos e deve universalizar acesso em 2025

A Bolívia vem dando prosseguimento aos estudos para os projetos de integração energética com o Brasil. Há uma comissão responsável que está estudando a implantação de uma usina binacional no rio Madeira de 3.000 MW. Além desse projeto, os estudos giram em torno dos projetos de Cachoeira Esperança, de 1.000 MW e de El Bala, de 2.500 MW.  De acordo com Arturo Iporre, gerente de mercados internacionais da Empresa Nacional de Eletricidade da Bolívia, o grupo de trabalho dedicado ao assunto foi formado em dezembro de 2015 por membros da empresa boliviana e da Eletrobras.

"Há interesse de ambas as partes em avançar, esperamos que continue no mesmo ritmo", disse Iporre, que participou nesta quarta-feira, 24 de maio de seminário internacional energias limpas e desafios tecnológicos na América Latina promovido pela Bracier, no Rio de Janeiro (RJ).

O país vizinho atualmente tem cerca de 86% de domicílios conectados à rede e espera alcançar a meta de universalização em 2025. Na geração de energia, os planos da Bolívia consistem em após identificar os potenciais hidrelétricos, implantar as usinas de modo que o país se torne um exportador de energia para os países do continente. "Queremos ter uma carteira de projetos que nos permita fazer uma oferta regional e competir’, avisa.

Os dois países estudam projetos na geração hidrelétrica, termelétrica e de transmissão de energia. Não há uma data para a entrega dos estudos da usina do Madeira. O de geração hídrica é o que tem evoluído mais. O de transmissão aguarda o término da identificação dos potenciais de geração para decidir os seus parâmetros. A Bolívia também negocia projetos de transmissão de energia com a Argentina e com o Paraguai.

Em fevereiro deste ano, os ministérios de Minas e Energia do Brasil e da Bolívia acertaram agenda de trabalho para estudar potenciais oportunidades entre os dois países. Também ficou definido uma proposta para a UHE Jirau operar em cota constante de 90 metros acima do mar.