Agentes do setor elétrico aprovam escolha de Barroso para EPE

Perfil técnico e profundo conhecimento do setor são destacados por executivos, que também falaram sobre os principais desafios a frente

Especialistas do setor elétrico aprovaram a escolha de Luis Augusto Barroso, diretor da consultoria PSR, para presidir a Empresa de Pesquisa Energética, em substituição a Mauricio Tolmasquim, que estava há mais de 12 anos no cargo. Excepcional, brilhante, competente e com perfil técnico foram alguns dos elogios tecidos pelos agentes ouvidos pela Agência CanalEnergia sobre o novo comandante do órgão de planejamento do setor elétrico.
 
Para Mario Veiga, presidente da PSR, Barroso combina quatro atributos valiosos para o cargo: formação acadêmica de alto nível; grande experiência na realização e coordenação de estudos de planejamento de geração, transmissão, geração distribuída e fontes renováveis; conhecimento em primeira mão dos desafios dos investidores e, talvez o mais importante, ter plena consciência da importância da troca de ideias com a inteligência coletiva do setor, incluindo empresas, agências do governo e centros de pensamento.
 
Ainda segundo Mario Veiga, Barroso terá desafios importantes na EPE, citando como exemplo a consolidação, em parceria com o ONS, das metodologias de formação de preço e aversão ao risco, requisito fundamental para um planejamento da expansão coerente, dentre outras. “Para que estas tarefas tenham êxito, é fundamental que a EPE tenha recursos humanos e financeiros, e que sejam transferidas algumas tarefas de certificação relacionadas com leilões, e que hoje absorvem a equipe de maneira excessiva e pouco eficiente”, avaliou Veiga.
 
Para Reginaldo Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Comercializadores de Energia, poucas pessoas “são tão habilitadas” para o cargo como Barroso. "Considerando a experiência que ele tem, certamente fará um excelente trabalho na EPE", disse. Para Medeiros, Barroso tem como desafio aperfeiçoar o modelo de contratação dos leilões de geração, de modo a inserir a demanda do Ambiente de Contratação Livre na oferta dos certames.
 
Mario Menel, presidente da Associação Brasileira de Investidores em Autoprodução de Energia e do Fórum das Associações do Setor Elétrico, classificou Barroso como um técnico renomado e brilhante. "Como a EPE é uma empresa que tem que pensar o setor, acho uma escolha perfeita. Realmente ele é o melhor técnico que existe no Brasil, entende muito de planejamento, é inteligente e acessível… Um camarada que pensa o futuro… Acho que a EPE está em excelentes mãos."
 
Para Menel, a EPE tem o desafio de adequar o planejamento a chegada de novas tecnologias, como a inserção da geração distribuída e o crescimento das fontes variáveis (eólica/fotovoltaica) na matriz elétrica brasileira. Ele também entende que o modelo brasileiro se desgastou ao longo dos últimos 12 anos e que agora é o momento de se revisitar esses conceitos, e que Barroso é a pessoa ideal para fazer essa mudança pois ele conhece bem os diversos modelos setoriais aplicados no mundo.
 
A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, Elbia Gannoum, disse que a nomeação de Barroso está em linha com o que o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, havia prometido para o setor, que haveria indicações de técnicos do setor para os cargos estratégicos de sua pasta. "Luiz Barroso é uma dessas pessoas, é um técnico muito respeitado no setor, um estudioso e trabalha numa consultoria que o setor confia bastante… E para presidir uma empresa como a EPE, de política energética nacional, precisa desse perfil, desse conhecimento de modelo." 
 
Elbia disse o setor elétrico e o Brasil vive um momento desafiador, com desafios na transmissão, na distribuição e na geração. Elbia voltou a defender a continuidade do sinal de contratação da fonte eólica, sob o risco de comprometer os investimentos feitos na cadeia produtiva desse setor.
 
Para Nelson Leite, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, o principal desafio de Barroso será propor aperfeiçoamentos no modelo adequando-o a nova realidade do setor elétrico, com a integração da geração distribuída e com a incorporação de novas tecnologias como as redes inteligentes, "para que possamos ter uma rede mais dinâmica e compatível com esse momento tecnológico". "Trata-se de uma pessoa que tem um amplo conhecimento. Sua atuação na PSR sempre foi destacada. Barroso tem capacidade técnica para conduzir a EPE, para digerir o planejamento do setor elétrico", disse Leite.