Mesmo em meio à crise que se encontra, a Petrobras deverá investir neste ano cerca de US$ 20 bilhões, disse o novo presidente da estatal, Pedro Parente, em seu discurso durante a cerimônia para transferência do cargo, que aconteceu nesta quinta-feira, 2 de junho. Segundo ele, sem sombra de dúvidas, esse será o maior volume de investimentos entre todas as empresas que operam no país.
Ele disse ainda que continuará com a recuperação econômica da empresa e que manterá o plano de desinvestimentos da companhia. "O desinvestimento pode não ser a venda integral dos ativos, mas a busca de parceiros", comentou o executivo. Ele não deu detalhes sobre como continuará sendo realizado o plano de desinvestimento, alegando que ainda precisa ter mais detalhes sobre as operações. "Não fiz ainda uma discussão detalhada sobre o programa de desinvestimento", declarou.
Parente disse ainda que a empresa apoia a revisão da lei de exploração do pré-sal com a substituição da obrigação de que participe com pelo menos 30% da exploração de cada campo, pelo direito de preferência com a participação que julgar atender melhor os seus objetivos. "Em nosso ponto de vista, como está, essa Lei não atende aos interesses da empresa e do país" disse. Isso porque, se a exigência não for revista, aponta Parente, a consequência será retardar sem previsão a exploração plena do potencial do pré-sal. Além disso, completou, a obrigação retira a liberdade de escolha da empresa de somente participar na exploração e produção dos campos que atendam o seu melhor interesse.
O executivo disse ainda que a Petrobras foi vítima de uma quadrilha organizada para obter os mais escusos, desonestos, antiéticos e criminosos objetivos. "Crimes que foram praticados por pessoas que se valeram de seus cargos para sustentar seus projetos pessoais de riqueza e poder", afirmou em seu discurso. Ele frisou que a empresa continuará a contribuir de maneira irrestrita é incansável com a Operação Lava-Jato, pois, como vítima, a empresa é a maior interessada.
Ele ponderou, no entanto, que os problemas da empresa não foram causados exclusivamente pela corrupção. "Uma série de projetos e investimentos se mostraram irrealistas, seja sob o ponto de vista de prazo de conclusão, de seus custos finais e pelas premissas utilizadas, muitos deles frequentando o noticiário por razões altamente negativas e não produziram os retornos desejados", afirmou.