Uruguaiana próxima de retomar operação

Grupo AES defende uso de armazenamento de energia para sistemas de transmissão e distribuição e vê necessidade de solução estrutural para sobrecontratação

A AES Brasil está próxima de recolocar a UTE Uruguaiana (RS, 640 MW) em operação comercial. A empresa negocia o fornecimento de gás natural vindo da Argentina para que a produção seja exportada para lá. Essa seria uma saída para a central que está parada há cerca de um ano e cujo tema combustível permeou as discussões recentes sobre a usina. O presidente do grupo no Brasil, Julian Nebreda, revelou que em breve a usina deve retomar a operação, mas não apontou uma data específica. A subsidiária local da multinacional norte-americana já indica que seu pilar de crescimento envolve a geração de energia por meio da AES Tietê Energia por meio de fontes alternativas e agora por meio do armazenamento em baterias.

O segmento de distribuição agora ficou com a AES Eletropaulo, após o anúncio de acordo para a venda da AES Sul por R$ 1,7 bilhão. Nessa área, a companhia afirma que o foco é de recuperar valor. E defende ainda que uma das opções para o segmento no país poderia ser a de liberalizar o mercado transformando as distribuidoras em empresas de infraestrutura. Confira abaixo os principais trechos da entrevista concedida à Agência CanalEnergia:
Agência CanalEnergia: A AES no Brasil tem um de seus pilares de crescimento no Brasil com armazenamento de energia, quantos projetos já estão no foco da empresa?
Julian Nebreda: Nosso objetivo é de desenvolver 100 MW nos próximos três ou quatro anos, logicamente que para termos isso precisamos ter um pipeline de 500 MW. Hoje no Brasil há duas áreas de muito valor e que vemos como a oportunidade para storage. A primeira é para o apoio à transmissão para fortalecer esse segmento, pois permite melhorar a administração e traz segurança para a ponta além de contribuir com a redução de custos do sistema. E outra área é em distribuição, com a necessidade das concessionárias terem uma nova condição de qualidade e podem alcançar esses objetivos utilizando as baterias de armazenamento como a solução tecnológica. Essa duas áreas de trabalho atual acredito vão ocorrer nos próximos três ou quatro anos.
Agência CanalEnergia: Storage é a tendência para os próximos anos?
Julian Nebreda: O mercado de armazenamento é grande. Mas, para que seja maior ainda terá que mudar a regulação. Com as regras da forma que estão essas aplicações para transmissão e distribuição não necessitam de mudanças. Mas, como eu disse para ser maior precisaremos fortalecer a regulação.
Agência CanalEnergia: Seria uma solução para os sistemas isolados?
Julian Nebreda: Esse é outro caso. Há alguns lugares isolados no Brasil com sistemas de geração com alto custo e onde se gasta mais energia levando o diesel até o ponto de geração do que com a energia produzida naquele local. Ou seja, com baterias o custo poderia ser muito menor junto a um sistema de geração distribuída poderíamos atender a essa demanda e, além disso, permitiria ampliar o tempo de injeção de energia eólica e a solar na rede. O Brasil sempre precisará de usinas, mas com essa solução a necessidade poderia ser menor.
Agência CanalEnergia: Recentemente comentou que o Grupo AES não colocou a Eletropaulo à venda e que o objetivo é o de recuperar valor da empresa. O que esperar da distribuidora ?
Julian Nebreda: Hoje a empresa tem um tema de estrutura de capital que estamos trabalhando para melhorar, assim como a operação, que estamos melhorando e ainda há  passivos contingentes. Em geral, o segmento de distribuição está em um momento no qual pode fazer com a tecnologia coisas melhores, com menor custo e mais eficiência.
Agência CanalEnergia: Como está a situação da AES Uruguaiana?
Julian Nebreda: Estamos trabalhando para contratar Uruguaiana para enviar energia à Argentina essa é a visão de longo prazo. Ter o gás argentino para vender a energia de volta àquele país, pois aqui hoje não se precisa mais de energia térmica. A situação na Argentina está melhorando, o gás da Argentina para Uruguaiana seria para gerar energia para que esta seja enviada para lá e isso facilita a obtenção de gás. Além disso, é uma oportunidade de integração energética e que temos que trabalhar. A Uruguaiana foi construída para ser um ponto de integração.
Agência CanalEnergia: Qual é o prazo para que a usina volte a operar?
Julian Nebreda: Estamos trabalhando e ainda não há previsão, trabalhando na solução para breve.
Agência CanalEnergia: Como avalia as resoluções da Aneel de junho para mitigar o efeito da sobrecontratação das distribuidoras?
Julian Nebreda: A sobrecontratação é um tema conjuntural. Mas há uma necessidade de mudança estrutural que apresentam dois pontos principais: a primeira é que a empresa possa administrar melhor seus contratos e que não precise contratar energia que não necessita; e a segunda é que existe um processo de liberalização do mercado, há muitos clientes indo para a fonte incentivada e precisamos facilitar esse processo. Agora as medidas da Aneel são positivas, mas seriam melhores se valessem já para esse ano. Ajudam sim na sobrecontratação, mas precisa de muita coisa ainda e a Aneel vem trabalhando em mais linhas. Agora, na minha opinião pessoal, teríamos que liberalizar o mercado de distribuição, permitir aos nossos clientes que comprem energia de quem quisessem e, ao mesmo tempo liberasse as empresas da responsabilidade atual para que seja uma empresa de fornecimento de infraestrutura, isso não só reduz o risco mas traz mais competição, mais inovação e um melhor desenho do mercado.