Atraso em LTs impedirá uso máximo das usinas do rio Madeira em 2017

Motorização em Jirau está concluída, enquanto Santo Antônio aguarda liberação de licenças para completar a operação comercial de suas turbinas

O atraso em duas importantes obras de transmissão em São Paulo vai comprometer a exploração total do potencial de geração das hidrelétricas de Jirau (3.750 MW) e Santo Antônio (3.568 MW) em 2017, alertou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), durante reunião com executivos da cúpula do setor elétrico em novembro. Em Jirau, a motorização das turbinas está completa, enquanto em Santo Antônio resta pendente apenas a publicação de licenças pelo órgão ambiental para seis últimas máquinas.
Segundo documento visto pela Agência CanalEnergia, mesmo com a efetiva entrada em operação das instalações que compõem o segundo bipolo do Madeira, prevista para 31 de janeiro, haverá um gargalo provocado pelo atraso na conclusão das linhas em 500 kV Araraquara 2-Taubaté e LT Araraquara 2-Fernão Dias, a primeira construída exclusivamente pela concessionária paranaense Copel e a segunda em parceria com Furnas, subsidiária da Eletrobras. A previsão é que haja uma restrição de escoamento das usinas do Madeira da ordem de 3.850 MW em janeiro, podendo chegar a 6.098 MW em junho de 2017.
Nas palavras do ONS, essas linhas são fundamentais para o escoamento total da energia produzida no Norte para a região Sudeste. "A política de operação a ser estabelecida pelo operador poderá considerar a impossibilidade de exploração total do potencial de geração das usinas do Madeira em determinada época do ano e dependente das condições hidrológicas da região Sul, de modo a se evitar, por exemplo, sobrecarga na rede atual, necessidade de geração térmica na área Rio/São Paulo por razões elétricas ou limitação do intercâmbio para o subsistema Sul", avisou o ONS.
A partir de fevereiro de 2017, a energia produzida por essas usinas poderá, finalmente, ser transmitida em sua totalidade para o Sudeste em razão da conclusão de duas subestações que deveriam estar prontas desde 2013. A estação conversora da subestação Coletora Porto Velho (RO) e a estação inversora de Araraquara 2 (SP) são de responsabilidade do consórcio IE Madeira, formado pelas empresas Cteep (51%), Furnas (24,5%) e Chesf (24,5%). De acordo com documento enviado em 23 de dezembro pelo consórcio à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), até 31 de janeiro de 2017 todos os circuitos estarão testados e prontos para receber a energia do segundo bipolo.
As instalações referentes ao segundo bipolo do Madeira ficaram prontas em 25 de setembro de 2014, com 19 meses de atraso. A linha em corrente contínua em 600 kV parte de Porto Velho, percorre 2.375 km de extensão, até chegar a Araraquara, município do interior do estado de São Paulo.  A responsabilidade desse trecho é do consórcio Norte Brasil Transmissora de Energia, formado pelas empresas Abengoa (51%), que está em processo de recuperação judicial, e pela Eletronorte, que passou a deter 49% de participação a partir de julho de 2015 quando comprou a fatia de 24,5% que pertencia a Eletrosul.
Já a LT Araraquara II – Taubaté (500 kV) foi arrematada pela Copel em leilão realizado em julho de 2010. A instalação em circuito duplo deveria estar pronta em outubro de 2012. Durante os seus 356 km de percurso, o trecho atravessa 28 municípios do interior paulista para ligar a Subestação Araraquara II, situada no município de Araraquara (SP), à Subestação Taubaté, situada no município de mesmo nome. O empreendimento vai possibilitar o escoamento pleno da energia proveniente das usinas do rio Madeira até os principais centros de carga de São Paulo e Rio de Janeiro. De acordo com relatório de acompanhamento de obras da Aneel, a expectativa é que esse sistema só fique pronto em junho de 2017, ou seja, quatro anos e sete meses depois do prazo contratual.
A LT 500 kV Araraquara 2 – Fernão Dias (241 km de extensão) faz parte do lote A do leilão de transmissão realizado em novembro de 2013. Quem arrematou o empreendimento foi o consórcio Mata de Santa Genebra, formado pelas empresas Copel GT (50,1%) e Furnas (49,9%). Contratualmente, essa obra precisa ser entregue em novembro de 2017, porém, segundo o ONS, a expectativa é que só em fevereiro de 2018 é que o operador poderá contar com esse sistema. Também compõe o lote as LTs 500 kV Araraquara 2 – Itatiba (207 km de extensão) e Itatiba – Bateias (399 km de extensão), além das subestações Santa Bárbara, Itatiba e Fernão Dias.
Procurada a se manifestar, a Copel disse que o atraso na LT Araraquara II- Taubaté se deve à demora na emissão da licença de instalação, que ocorreu somente em agosto de 2016. "Atualmente, das 768 torres que serão implantadas, 520 já estão montadas e aproximadamente 100 km de extensão dos cabos condutores já foram lançados, de um total de 334 km. A previsão para conclusão do empreendimento é junho de 2017, e o investimento atualizado das obras é da ordem de R$ 400 milhões."
Quanto a LT Araraquara II – Fernão Dias, a companhia afirmou que colocará a linha em operação no prazo contratual de 14 de novembro de 2017, embora o ONS já trabalhe com o cronograma de fevereiro de 2018. "Apesar de atrasos no processo de licenciamento ambiental e liberação fundiária, as instalações estão sendo implantadas de forma a atender a data prevista", disse em nota. A Copel destacou que essa obra faz parte de um bloco de empreendimentos que inclui mais duas LTs e uma subestação e totaliza 1.760 torres e 880 km de extensão de linhas em 500kV. A parcela de investimento da Copel nesses empreendimentos (50,1%) é de R$ 780 milhões.