Na quarta-feira, 11 de janeiro, a Agência CanalEnergia publicou a notícia de que a procuradora da República Fernanda Alves de Oliveira, do Ministério Público Federal (MPF) em Passo Fundo (RS), enviou recomendação ao Ibama, à empresa Engie Brasil Energia e à Fundação Nacional do Índio (Funai) para que providenciem o licenciamento ambiental corretivo da hidrelétrica Passo Fundo, com elaboração de Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) prevendo o componente indígena da área em questão, bem como medidas compensatórias e migratórias de cunho socioambiental em favor da comunidade indígena residente na Terra Indígena Serrinha. O MPF estabeleceu prazo de 30 dias para que os destinatários informem sobre as medidas adotadas para o cumprimento da recomendação.
"A Engie esclarece que não foi a responsável pela implantação da hidrelétrica Passo Fundo e que é responsável, desde 1998, pela operação e manutenção dessa usina. A companhia defende que o assunto da terra indígena deve ser enviado para deliberação da União, na qualidade de proprietária de direito da usina e responsável pela sua construção, e não à Engie Brasil Energia", escreveu em carta enviada à reportagem.
A hidrelétrica foi construída em 1967, quando ainda não existia legislação ambiental que determinasse a elaboração de EIA/RIMA. Somente com a promulgação da Carta Magna de 1988, portanto 15 anos após o início da operação da usina, é que foram estabelecidos os critérios para o aproveitamento dos potenciais de energia hidráulica em terras indígenas. A Engie pagou à União o preço estabelecido em licitação pública para o uso do empreendimento. A companhia acredita que não deve ser responsabilizada porque, nesses quase 20 anos que é a responsável pela operação e manutenção da hidrelétrica Passo Fundo, "não causou quaisquer danos a terceiros decorrentes da implantação."
"A Engie esclarece também que qualquer eventual indenização complementar de áreas afetadas pelo reservatório do empreendimento implicará em alteração significativa dos termos e condições da concessão, causando um desequilíbrio econômico-financeiro direto e comprovado do contrato. A companhia reforça ainda que a usina é um bem pertencente à União e que a Eletrosul, empresa do Grupo Eletrobrás, implantou a UHE Passo Fundo, entre 1969 e 1973, tendo indenizado à União as áreas que eram de sua propriedade."