A CPFL Renováveis ainda vê a fonte solar com alguns riscos para o seu desenvolvimento no país. Entre eles estão o risco cambial diante da necessidade de importação de equipamentos, os gargalos na transmissão e a necessidade de investimentos mais elevados quando comparado a outras fontes renováveis, o foco de atuação da empresa. Em função desse cenário a companhia ainda aguarda a melhoria dos preços nos leilões que possam garantir uma relação risco ante o retorno que seja mais adequada do que a atual. Contudo, classifica como otimista a possibilidade de novos aportes nesse segmento de geração.
Segundo o diretor presidente da empresa, André Dorf, a companhia não tem preferência por fonte, já o foco é geração por fontes renováveis. Sendo assim ele lista tanto a solar quanto a eólica, a hídrica por meio de PCHs e a térmica a biomassa como elegíveis a investimentos.
“Na última década, a fonte eólica foi a que mais evoluiu e teve destaque nos leilões com grande capacidade contratada. A CPFL Renováveis aproveitou esse desenvolvimento e hoje a fonte representa quase 60% do nosso portfólio em operação. Porém, estamos preparados para oportunidades em outras fontes, inclusive participamos de leilões recentes em que comercializamos uma PCH, pois o retorno foi atrativo”, lembrou ele.
A empresa divulgou na última quarta-feira, 16 de março, os resultados anuais e uma nova previsão de investimentos até 2020. Os valores atualizados do que já está contratado somam R$ 2,1 bilhões e deverão elevar a capacidade instalada da empresa dos atuais 1,8 GW para 2.131 MW. Dessa expansão de 329,8 MW, 255 deverão entrar em operação ainda este ano.
Sobre as perspectivas de novos investimentos para este ano nos leilões de energia nova, Dorf desconversa ao lembrar que a empresa possui um pipeline de 3 GW em projetos prontos para serem ofertados em leilões ou no mercado livre. “A companhia sempre avalia a participação em leilões e opta, ou não, dependendo da relação risco e retorno que cada projeto oferece. Para isso, analisa todos os aspectos que podem impactar cada projeto, como disponibilidade de equipamentos, preço do leilão e características do contrato, disponibilidade e custo de crédito, etc. Apesar de a companhia ter crescido muito desde a sua fundação, e planeja continuar crescendo, nós prezamos pela disciplina e uso consciente do capital,” comentou.
Uma alternativa pode ser o mercado livre, que segundo ele, tem sido uma das vias de crescimento do setor e da própria companhia. “Nós temos, por exemplo, dois grandes complexos eólicos que irão entrar em operação em 2016 e que tiveram toda a sua capacidade negociada no mercado livre. São contratos de longo prazo, de 20 anos, e já contam com apoio de crédito do BNDES”, acrescentou.