Sobreoferta de energia afeta preços no mercado livre até 2017

Problema poderá se agravar a depender da decisão sobre o que fazer com a sobrecontratação das distribuidoras

O atual momento do mercado livre para os geradores preocupa quando o assunto é renovação dos contratos. Acontece que o atual cenário no mercado de curto prazo afeta o psicológico dos consumidores. Com isso, a expectativa atual é de que a trajetória dos valores da energia para até três anos não seja de alta como vista nos últimos anos já que o preço no spot em baixa tira o incentivo dos descontratados correrem ao mercado para suprir a sua demanda. Ainda mais nesse momento de sobreoferta onde se discute o que fazer com as distribuidoras que estão com excesso de contratos.

Segundo o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Engie Tractebel, Eduardo Sattamini, o nível médio de preços para 2017, por exemplo, mudou expressivamente. Contratos que antes eram negociados em um patamar que variava entre R$ 200 a R$ 220/MWh hoje está na casa de R$ 130/MWh. “Há excesso de oferta e os preços, naturalmente, tendem a ficar mais baixos. Essa era uma coisa impensável quando se olhava para 2014 e os R$ 822/MWh. Essa volatilidade de preços vem por conta das térmicas mais caras na matriz e a concentração hídrica que temos”, comentou o executivo.
A empresa está com apenas 149 MW médios descontratados para esse ano, o que representa pouco mais de 3% de sua garantia física. Sattamini comentou que a empresa está tranquila no momento, mas que há pressão sobre os preços, pois a renovação dos acordos acaba saindo por valores mais baixos. Para 2017, há 257 MW médios descontratados, volume que só aumenta de forma mais considerável em 2018 quando há 587 MW médios sem contratos, o que equivale a 14,2% da garantia física atual da companhia.
A maior parte da energia está compromissada com clientes no mercado livre. Esse ano 52% ou 2.126 MW médios destinam-se ao ambiente livre de contratação, já em 2017 aumenta para 56%. Por sua vez a participação do mercado regulado é o inverso com participação cada vez menor, indo de 43% em 2016 para 38% no ano que vem. Ainda há uma parcela de 5% para comercializadoras.
Essa sobreoferta, descartou Sattamini, não coloca uma pressão sobre a empresa. “A companhia está sempre renovando contrato com seus clientes se tiver alto ou baixo vamos contratar. Talvez os clientes de maior valor para retenção eu possa manter com o nível de preços que o mercado apresenta. Vamos continuar vendendo e com preço menor porque se nós nos afastarmos desses clientes e perdermos há um custo para recuperá-lo”.
Sattamini alertou para o fato de que as discussões acerca dos excessos de energia contratada pelas distribuidoras pode gerar uma nova corrida à Justiça a depender do movimento que o governo fizer. Ele se refere à possibilidade de as concessionárias poderem negociar essa energia adicional no mercado livre, o que elevaria ainda mais a sobreoferta do insumo. Uma coisa, contou ele, é devolver um certo percentual de energia existente. Outra é poder vender essa energia no mercado e afetar outros agentes.
“Toda vez que vem uma regra nova e mexe no mercado vemos que quem sair prejudicado vai buscar o juizado para poder garantir seu direito. Nesse caso das distribuidoras, o governo poderia aliviar as regras de pass through para uma parcela maior dos contratos e por um tempo determinado, porque é claro que cinco anos atrás não se imaginaria uma queda de consumo de 10% em dois anos. É um momento especial e para isso deveríamos adotar regras especiais por um momento apenas (…) o governo e o regulador devem discutir isso com cautela senão podemos correr o risco de ver nova corrida à Justiça. Tem que ser algo que não quebre muito as regras, que seja excepcional assim como é esse momento”, finalizou.