Governo está preocupado com repercussão social e política das privatizações na Eletrobras

Companhia terá 210 dias para apresentar ao governo um estudo completo sobre o impacto do processo de desestatização

O Governo Federal está preocupado com a repercussão política e social que o processo de privatização de sete distribuidoras do Grupo Eletrobras pode causar e pediu um prazo de 210 dias para avaliar a desestatização das empresas de uma forma mais ampla, disse José da Costa Carvalho Neto, presidente da Holding Eletrobras. O executivo participou nesta quinta-feira, 14 de janeiro, da cerimônia de inauguração do Complexo Eólico Chapada do Piauí (PI- 436 MW), em Marcolândia, no Piauí.

O governo, que é sócio majoritário da Eletrobras, aprovou a venda da Celg (GO). Há uma expectativa que as distribuidoras que atendem aos estados de Alagoas, Piauí, Roraima, Rondônia e Acre sigam o mesmo caminho. Porém, a desestatização enfrenta resistência por parte de grupos sociais e funcionários dessas empresas. Nesta semana houve, inclusive, manifestações em Brasília contra a venda da Celg.

Segundo Costa Neto, a companhia está providenciando a contratação de um estudo para balizar a decisão de desestatização do governo. “O principal ponto é que a União queria que fosse feito um estudo mais completo, inclusive com consultores externos, para que a decisão toda tivesse um embasamento financeiro, econômico, social e político”, declarou o executivo à Agência CanalEnergia.

Não está definido se a venda das empresas será total ou parcial. O objetivo do governo é concentrar os recursos da Eletrobras nos setores de geração e transmissão. “Esse é o mote principal, liberar os recursos da Eletrobras para as grandes obras de geração e transmissão”, disse Costa Neto. “A Eletrobras foi feita para as grandes usinas, grandes linhas de transmissão. Esse é o papel da Eletrobras.”

Para Costa Neto, o setor privado poderá dar a eficiência e a qualidade operacional que a população atendida por essas empresas necessita. A Eletrobras planeja “concentrar esforços” nesse primeiro semestre do ano, para no segundo semestre voltar a protagonizar nos leilões de energia e transmissão. 

O empreendimento inaugurado nesta quinta-feira é mais um projeto da Eletrobras que entra em operação, contribuindo para atender parte da demanda de energia elétrica da região Nordeste, que atualmente enfrenta uma grande seca, impactando a produção hídrica. As usinas foram construídas pela ContourGlobal em parceria com a Chesf, subsidiária da Eletrobras.

*O repórter viajou a convite da ContourGlobal