As primeiras manifestações de empresas quanto a aprovação da renovação das concessões de distribuição começaram a sair dos conselhos de administração. Com isso começa a ficar mais próxima a perspectiva do passo seguinte do segmento: a consolidação. A estimativa da CPFL Energia é de que o mercado de aquisições se abra com a concretização do acordo de renovação já que essa deverá ser uma medida, principalmente, para alguns estados em dificuldades econômicas que têm na venda dessas empresas a oportunidade para o equilíbrio das contas.
“O tema da venda das distribuidoras, a Eletrobras nunca pensou e agora sim. Há estados com problemas e que atualmente não se tem capacidade de aumentar impostos. Todos gestores públicos têm que utilizar outros expedientes e a privatização pode ser o instrumento”, avaliou ele sem citar diretamente as empresas que poderiam estar nessa situação. “Dado que se não conseguia precificar a empresa, agora com a renovação tem essa possibilidade que virá para a mesa como opção. Como sempre digo, essa operação é de escala, se olhar para índices de concentração, teríamos sim no cenário ideal de consolidação de mercado de 50%, dobraríamos de tamanho”, estimou ele.
Em sua avaliação, para que o mercado de distribuição continue produzindo os efeitos da agência reguladora tem que se consolidar. E tomou como exemplo a própria empresa, com as cinco pequenas distribuidoras que controla. Segundo ele, não teriam o nível de qualificação que foram incorporadas nos últimos cinco anos. E nesse sentido, diz, as empresas têm que incorporar nesse próximo período de concessão novas tecnologias, principalmente smart grids, entre outras medidas que somente empresas com grande escala conseguem ter.
O presidente da CPFL Energia estima que esse processo de consolidação ficará mais viável em um período de dois anos. Isso porque há cerca de 20 empresas com problemas que poderão não entregar os resultados e ao perceber que há a possibilidade colocarão os ativos a venda.
Dentre as distribuidoras da Eletrobras, acrescentou o vice presidente de operações reguladas, Luis Henrique Ferreira Pinto, a empresa que mais interessaria a CPFL é a Celg-D que estaria em uma localização mais privilegiada em relação aos ativos da concessionária paulista. “Acho que o que mais nos atrai é a Celg que traria para nós mais vantagens sinérgicas e a gente teria ganhos operacionais”, afirmou.
A situação econômica mais complicada das empresas da Eletrobras traz preocupação, admite ele. Esse fator faz parte da avaliação para verificar o apetite da CPFL. E ainda, é olhado o mercado de reação da empresa e reorganização para dar resposta para o futuro.
Na avaliação de Ferreira Pinto, a possibilidade de empresas não atenderem os limites da Aneel por dois anos seguidos abre a perspectiva de negócios. Dificilmente, disse ele, na licitação para a escolha de um novo concessionário o preço pode ser mais baixo, pois a concorrência deve elevar o preço. O momento mais adequado é nos próximos dois anos quando a empresa em dificuldades estiver em um momento crítico.