O presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Jr., disse em teleconferência nesta sexta-feira, 13 de novembro, que o setor elétrico deve caminhar para um novo processo de privatização a partir do próximo ano. Para ele, a privatização dos ativos, principalmente de distribuição, se mostra como uma solução rápida para que Estados e Governo melhorem a arrecadação em 2016.
“Não tenho dúvida de que alguns Estados, tendo renovadas as concessões, vão considerar e devem considerar a possibilidade de privatizações. Tem agora uma concessão renovada por 30 anos, uma concessão que pode ser operada de forma mais eficiente”, disse o executivo, destacando que a melhora operacional dessas empresas resultará em mais impostos arrecadados e também se apresenta como uma solução de curto prazo para fazer caixa nos cofres públicos.
A CPFL acredita que no próximo ano haverá um “conjunto de oportunidades” de aquisições no setor de energia. Empresas que precisarão vender ativos por não ter conseguido administrar a conjuntura econômica e setorial dos últimos anos. Ferreira afirmou que a companhia estará de olho nesses ativos, principalmente de distribuição. Revelou que ativos pequenos e próximo às áreas de concessão da CPFL são os mais atrativos para a empresa, depois os de tamanho médio.
Como estratégia de crescimento no setor de distribuição, o executivo não descartou a possibilidade levantar caixa com a venda de ativos de geração. “Vender ativos de geração que você possa garantir valor, pode ser uma opção. Não é a opção preferencial da companhia. Mas recebendo uma proposta por um ativo que companhia possa realizar todo o valor que ela possa ter no tempo, sem dúvida é uma opção que a gente avaliará.” Ferreira disse que o fator câmbio coloca as empresas estrangeiras melhor posicionadas para adquirir esses ativos. “Haverá mais interessados estrangeiros nesses ativos a partir de agora. É um cenário para se considerar quase como base para esse momento.”
O diretor de Assuntos Regulatórios de Distribuição da CPFL Energia, Hélio Puttini Junior, disse que a empresa está satisfeita com a proposta de prorrogação das concessões apresentada pela Aneel. “A expectativa é que nos próximos 30 dias todos os contratos de distribuição estejam assinados”, disse. Ferreira explicou que a empresa está bastante confortável com as metas de qualidade e gestão econômica exigidas pela Aneel. Apenas uma em cinco das empresas precisam melhorar a trajetória de DEC e FEC. Sobre o mercado, a CPFL acredita que a queda no consumo de energia chegou ao piso e que em 2016 deverá haver pequena melhora. “Estamos trabalhando com um consumo ligeiramente positivo, de 0,4%.”