Abragel quer PCHs partindo de R$ 290/MWh no leilão A-5

Preço cobriria mudanças no cenário. Biomassa quer continuidade na subida dos preços na comparação com último certame do tipo

A Associação Brasileira de Geradores de Energia Limpa acredita que o preço-teto do próximo leilão A-5, que será realizado em fevereiro do ano que vem deva partir de R$ 290/MWh. De acordo com o presidente da Abragel, Charles Lenzi, fatores como a redução do financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e o risco do GSF, justificam que o preço fique nessa faixa, o que já fez com que a associação solicitasse ao Ministério de Minas e Energia esse patamar. "Levando em consideração o panorama atual, esse preço seria uma sinalização adequada", afirma Lenzi.

Os cerca de 1 GW que a fonte cadastrou também é motivo de satisfação para o presidente da associação. Para ele, isso mostra a disposição dos empreendedores em voltar a participar de forma mais ativa dos leilões de energia, já que a fonte ficou durante alguns anos sem conseguir viabilizar projetos. "Percebemos que houve uma motivação muito maior do empreendedor", avisa. Lenzi também ressalta que ações da Empresa de Pesquisa Energética, no sentido de facilitar o cadastro dos projetos, trouxeram mais fôlego para a fonte.

O alto número de cadastros para o A-5 também foi bem recebido na União da Indústria da Cana-de-Açúcar. No A-5 de 2015 foram 22 projetos cadastrados e para o próximo certame, 66 projetos. Para que os 3.019 MW cadastrados pela fonte consigam uma boa performance no certame, o gerente de Bioeletricidade da Unica, Zilmar de Souza, quer a continuidade da subida de preços que a fonte vem experimentando nos últimos leilões. O A-5 de abril de 2015 teve um preço-teto de R$ 281/MWh e depois o A-3 com preço de R$ 218/MWh. "Temos que continuar melhorando esse preço. Não há porque reduzir o preço", afirma.

Ele não acredita em uma forte queda dos cadastrados para os habilitados. Segundo ele, não é comum uma queda acentuada nos projetos. Estados como Minas Gerais e Mato Grosso do Sul apareceram com muitos projetos, ao lado de São Paulo, que tradicionalmente lidera no desenvolvimento da fonte.