Energia é um dos pilares para a economia de baixo carbono, aponta estudo

Fontes solar e eólica deveriam ser estimuladas a alcançar cerca de 30% da matriz energética do Brasil até 2030

O World Resources Institute (WRI) divulgou um relatório onde aponta que o setor de geração de energia vem aumentando a sua participação no volume de emissões de gases de efeito estufa. Apesar desse fato, esse mesmo segmento pode ajudar no alcance das metas de ser uma economia de baixo carbono. No documento, entitulado Oportunidades e Desafios para Aumentar Sinergias entre as Políticas Climáticas e Energéticas do Brasil e que foi desenvolvido em parceria com o IEE-USP, a entidade aponta que o planejamento está aquém das necessidades para se chegar a esse objetivo.

As emissões de gases que causam o efeito estufa no setor de energia ganham mais importância com a informação de que apesar da redução do desmatamento (considerado o maior responsável pelas emissões do país), o Brasil tem aumentado sua contribuição quanto à produção de gases nocivos à atmosfera. E é justamente o setor de energia que tem sido o responsável por este avanço. Segundo o estudo, de 2005 a 2011, as emissões do setor de energia aumentaram 24%. Na década anterior o aumento foi de 44%, segundo dados coletados junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
Dentre os grandes campos de trabalho que o Brasil pode implementar para reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa, duas estão diretamente ligadas à energia elétrica. Uma se refere a criar incentivos e sistemas para avaliar e aprimorar a eficiência nas indústrias por meio do uso de métricas de carbono e a outra é priorizar fontes modernas de geração, com destaque para a eólica e a solar, sendo que ao mesmo tempo, deve lidar com os desafios apresentados pelos projetos hidrelétricos de larga escala.
Nesse âmbito, destaca o estudo, ainda há grandes oportunidades a serem exploradas no país considerando a sua integração à rede. Outra ação importante passa pela necessidade de eliminar qualquer incentivo aos combustíveis fósseis, nivelando o mercado para que as soluções alternativas de energia renovável possam competir em um mercado, classificado pelo WRI, livre. Outra estratégia apontada como relevante é aumentar a participação do vento e do sol na matriz energética para algo na casa de 30% até 2030.
Esse pode ser um problema para o país, pois na avaliação da entidade, as metas apontadas pelo PDE precisariam se mais ambiciosas e realizáveis do que se tem atualmente. “Essas metas poderiam induzir e orientar o ritmo de implementação e o enfrentamento aos desafios práticos inerentes à transição para uma economia sustentável de baixo carbono, incluindo a necessidade de lidar com os desafios relacionados à intermitência das fontes modernas de energia renovável e as importantes questões sociais e ambientais relativas à energia hidrelétrica”, ressalta o estudo.
Em outro segmento, mas também considerado um grande consumidor de energia, o setor de transportes também é apontado como um dos causadores e, por isso, uma das frentes a se trabalhar para chegar ao status de economia de baixo carbono. Para acessar o estudo, clique aqui.