Tolmasquim defende capital privado na fonte nuclear

Em posicionamento pessoal, presidente da EPE alega que medida daria mais agilidade para implantação de usinas e certeza ao planejamento

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, gostaria que houvesse a participação do agente privado na implantação de termelétricas nucleares no país. Atualmente essa prerrogativa é da Eletronuclear, que constrói a usina de Angra 3 (RJ – MW). Ressaltando que essa uma posição pessoal, ele acredita que o capital privado daria mais agilidade a obra. Uma estatal ficaria presa a burocracias exigidas por legislações e regras impostas. "Enquanto não houver o capital privado, vamos ter longos períodos de construção. É importante ter o capital privado majoritário", explica Tolmasquim, que participou nesta segunda-feira, 21 de setembro, de evento na Câmara de Comércio Americana, no Rio de Janeiro (RJ). A operação das usinas poderia continuar com a Eletronuclear.

A demora na implantação de uma térmica nuclear interfere na confecção do planejamento energético da EPE, já que isso dificulta a inserção de Angra 3 no Plano Decenal de Energia. Mesmo com os sinais dados pelo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, para a expansão do parque nuclear e de alteração na legislação do setor, Tolmasquim espera por um melhor momento político para que o tema seja posto em pauta no parlamento. "Tem que olhar o momento adequado. Está se criando um consenso para isso", afirma.

Para o diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletronuclear Leonam Guimarães, que participou do mesmo evento, a empresa tem contribuído com a discussão apresentando sugestões para o aumento do capital privado na energia nuclear. Segundo ele, existem várias ideias, mas a empresa não teria ingerência nessa escolha. Ele concorda que as usinas nucleares trazem uma incompatibilidade para o planejamento energético. Segundo ele, dez anos para uma usina é um horizonte muito justo. Uma térmica demanda muitas escolhas desde o seu ponto de partida. Ele não dá certeza se uma eventual mudança na legislação já deixaria as usinas nucleares com condições de serem inseridas em um PDE. "Dez anos é um prazo razoável dentro do contexto, mas apertado dada as incertezas do processo", avisa. 

Outro aspecto levantado pelo diretor da Eletronuclear é o da criação de não apenas uma, mas de um "pacote" de unidades de usinas nucleares, como fez recentemente a China. "Construir uma usina sai muito mais caro, o efeito escala é significativo”, observa Guimarães. Outros pontos que seriam influenciados com a entrada do agente privado, como o financiamento das atividades prévias, também devem ser analisados.