PDE estima em R$ 376 bi investimentos no setor de energia elétrica até 2024

Expectativa é que R$ 268 bilhões sejam direcionados para o segmento de geração e R$ 107,8 bilhões para transmissão

O Empresa de Pesquisa Energética divulgou nesta quarta-feira, 16 de setembro, a atualização do planejamento da expansão da matriz energética brasileira até 2024. O Plano Decenal de Energia aponta que o Brasil deverá aumentar sua capacidade instalada de geração de energia elétrica em 73 mil MW, passando dos atuais 132,8 GW (2014) de capacidade para 206,4 GW em 2024, o que demandará R$ 268 bilhões em investimentos. Para o setor de transmissão, a estimativa aponta para investimentos da ordem de R$ 107,8 bilhões no período.

Segundo o relatório elaborado pela EPE, cerca de metade da expansão de geração será baseada em fontes renováveis: eólica, solar, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. Os investimentos já contratados em geração somam R$ 103,6 bilhões. Outros R$ 164,9 bilhões estão previstos para serem aplicados em novas usinas.

A evolução da capacidade instalada por fonte mostra que as hidrelétricas passarão dos atuais 90 GW (2014) para 117 GW, sendo que a participação na matriz cai de 67,6% para 56,7% até 2024. As eólicas saltarão de 5 GW (2014) para 24 GW em dez anos, passando a representar 11,6% da matriz. As térmicas passam de 20 GW (2014) para 30 GW, mas a participação de 14% praticamente permanece. A situação da nuclear, que conta apenas com a entrada de Angra 3 em 2019, representará 1,6% da matriz, com 3,3 GW. As PCHS saltam de 5 GW para 8 GW no período, ou 8,7% da matriz. A biomassa também tem uma evolução, de 11 GW (2014) para 18 GW em 2024. A grande novidade é a solar, que em 10 anos representará 3,3% da matriz ou 7 GW. Nos leilões promovidos ao longo de 2014 e 2015, o governo já contratou 2 GW em usinas fotovoltaicas.

Em transmissão, a previsão de investimento é de R$ 107,8 bilhões considerando as instalações já licitadas, sendo R$ 78,3 bilhões em linhas e R$ 29,5 bilhões em subestações. “Cabe destacar que o adicional de cerca de R$ 30 bilhões em relação ao PDE anterior se deve principalmente pela alteração da base de referência de preços, passando a ser utilizado o banco de preços da Aneel em substituição aos custos modulares Eletrobras, referência de 2006. O impacto desta alteração se concentra na previsão de investimentos das linhas de transmissão”, diz um trecho.  Desconsiderando as instalações já licitadas, a expectativa do governo é que R$ 69,4 bilhões de novos investimentos em sistemas de transmissão sejam contratados até 2024.

Além disso, o Brasil passará a ser um importante player nos mercados internacionais de petróleo no horizonte decenal, com produção de 5 milhões de barris por dia e exportações de 2 milhões de bpd em 2024. A expectativa é que R$ 993 bilhões sejam investidos em petróleo e gás natural e R$ 39 bilhões em biocombustíveis.
 
O Plano Decenal de Energia 2024 ficará em consulta até 7 de outubro na página do Ministério de Minas e Energia. As contribuições devem ser enviadas por meio do correio eletrônico – pde2024@mme.gov.br ou para o endereço: PDE 2024 Consulta Pública – SPE/MME – Esplanada dos Ministérios, Bloco "U", 5o Andar, CEP 70065-900, Brasília-DF.  Clique aqui para ler a íntegra do documento.