Bolsa canadense quer abrir mercado de capitais para empresas brasileiras

Para CSE, setor elétrico brasileiro é firme e atraente. Captação pode trazer fôlego na busca por novos financiamentos

Com um cenário econômico mostrando que a obtenção de novas fontes de financiamento vai ser um diferencial na competitividade, as empresas brasileiras de energia podem vislumbrar mais uma opção. A Canadian Security Exchange, bolsa de valores com sede em Toronto, está captando empresas brasileiras que tenham interesse em ir ao mercado de capitais no país. A meta da CSE é atrair negócios de várias áreas que queiram financiar a sua expansão por captações nessa bolsa.

De acordo com Miloud Hassene, advisor international da CSE para o Brasil, ela é conhecida por ser uma bolsa para empreendedores. "O lema dela é exatamente esse, incentivar os empreendedores a listar suas empresas", explica. Segundo ele, fundos e bancos de investimentos canadenses estão inclinados a investir em tecnologia e energia no Brasil, mas via empresas listadas na CSE. "Eles viram um setor atraente para investir, o setor energético do Brasil é muito firme", avisa.

Ainda de acordo com o executivo, essa atração vem de um setor que passa para o mercado maturação nas suas estruturas de segurança e confiabilidade. Mesmo com algumas incertezas que tem assolado o setor, como o GSF, as garantias que os contratos trazem, aliadas as suas ferramentas de ajuste, passam confiança para o investidor. "Qualquer investidor quer confiança, receber confiança e a garantia que ele pode depositar confiança. Isso é um dos lados positivos do Brasil", observa Hassene.

Para Hassene, a captação de recursos no Brasil é muito complicada e tradicionalmente os empreendedores nacionais buscam a facilidade das condições oferecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Mas as mudanças nessas condições trazem a ocasião para a entrada na CSE. Hassene aposta no potencial das empresas brasileiras, que, segundo ele, cresceram de modo orgânico, sabem enfrentar crises, tem bons quadros, mas que não tem acesso ao mercado de capital.

Sem um alvo específico no setor elétrico, o advisor conta que o primeiro olhar deverá estar nos setores eólico e solar, com vantagem para o primeiro, que está em estágio mais consolidado. Na América Latina, além do papel de destaque do Brasil, as hidrelétricas do Peru também chamam a atenção, junto com o Chile. O movimento está sendo conduzido pela CPMA, empresa da qual Hassene é sócio. Ele ressalta a abertura da CSE às empresas estrangeiras, já que o número de empresas listadas nessa bolsa canadense é de 4.500, porém mais da metade ou cerca de 60%, são empresas estrangeiras.

A Better Energy, uma start up brasileira, da área de energia solar, já está no processo para ser listada na CSE. Hassane também conta que uma outra empresa, mas já conhecida e consolidada no setor, também se mostrou interessada em se listar na CSE e deverá ser a próxima, o que para ele é uma prova de pluralidade do mercado canadense. "Temos vários negócios de vários tamanhos. Estamos abertos para qualquer empresa", aponta.

Como pré-requisitos para serem listadas, as empresas devem apresentar antes de tudo uma boa ideia, amparada por um bom plano de negócios com perspectivas claras de crescimento. A empresa também deve ter uma estrutura de governança corporativa. O processo de listagem leva em torno de seis meses e a CSE oferece para as empresas interessadas a orientação necessário para o processo. Uma vez listada, ela vai ter acesso a um sistema chamado pure trading, que oferece auxílio para aumento de eficiência nas suas ações. O atendimento a todas as regras vai permitir mais captações nos anos seguintes. "Se a empresa performa bem no seu primeiro ano listada, vai construir sua curva de credibilidade e efetuar o planejado no business plan. Ela vai estabelecer relação de confiança com o mercado o mercado", conclui.