Eólica comemora, mas agentes criticam preço do leilão A-3

Energia dos ventos atendeu 80% da demanda contratada pelo governo

A fonte eólica foi destaque no leilão de energia realizado nesta sexta-feira, 21 de agosto, atendendo 80% da demanda contrata pelo governo. No total 19 novos projetos, ou 538,1MW, foram viabilizados. O preço médio final de venda da fonte foi de R$ 181,14/MWh, deságio de 1,55%. Os empreendimentos, que precisam entrar em operação em 1º de janeiro de 2018, estão distribuídos pelos estados do Maranhão, Piauí e Ceará.

A presidente-executiva da ABEEólica, Elbia Gannoum, se surpreendeu com o resultado, pois apostava em uma demanda menor e também contava com uma competição mais acirrada por parte das outras fontes. "Estou surpresa positivamente. Fizemos uma conta que apontava para uma demanda bem menor. Achávamos que não passaria de 500 MW. Do lado da oferta, pensamos que iria ter mais oferta das outras fontes e também não teve. Dessa forma a eólica acaba preenchendo a demanda pela competitividade."

Para Elbia, o risco da transmissão foi decisivo e só ganhou quem já tinha linha disponível. "Outra coisa foi o preço. O deságio foi de 1,55% e isso demonstra que o preço teto está bem apertado e deve ser ajustado para o próximo leilão." Quem também reclamou do valor ofertado pela energia foi a Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa, que representa as pequenas centrais hidrelétricas. "Tendo em vista que o deságio foi baixo, isso significa que o preço não está adequado para a fonte", disse Charles Lenzi, presidente da Abragel.

"O leilão foi obviamente impacto por uma percepção maior de risco pela questão do GSF e também pelo aumento de custo do financiamento. Volto a insistir, pelo desafio apresentado e pela quantidade de empreendimentos que venderam, o preço está mais para piso que para teto", analisou Lenzi. O segmento conseguiu viabilizar sete PCHs localizadas nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o que representou 66,1 MW de capacidade contratada ao preço de R$ 205,01 MWh.

Para o presidente da Abrapch, Ivo Pugnaloni, o resultado das PCHs foi “muito ruim” do ponto de vista de quem tem uma meta de contratar 1.500 MW da fonte, se referindo ao Plano de Investimentos em Energia Elétrica, lançado recentemente pelo Governo Federal. "A parte boa é que depois do lançamento do PIEE não somos só nós que respondemos. Agora o Ministério de Minas e Energia, o BNDES, a Empresa de Pesquisa Energética e a Agência Nacional de Energia Elétrica também respondem, porque eles têm a meta de contratar 1.500 MW."  Pugnaloni também reclamou do prazo para inscrição dos projetos, encerrado antes da divulgação do preço teto. "Esses projetos que foram inscritos são apenas uma parte dos que poderiam estar presentes no leilão. Tem que acabar com essa história de divulgar preço um pouco melhor depois que o prazo for encerrado. Na próxima vez, vamos à Justiça."

Quem também lamentou o resultado do leilão foi o gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana de Açúcar, Zilmar de Souza. Foram três térmicas viabilizados no leilão desta sexta-feira, mas apenas uma tem como combustível o bagaço da cana-de-açúcar. "Esse ano foi um dos piores para a biomassa de cana em termos de contratação nos leilões", disse. Em 2015, apenas três projetos do tipo foram contratados. Em 2008, chegou a 30.

Também para Souza, o preço, que foi de R$ 218 para a fonte, comprometeu o resultado. "Isso por conta do preço muito baixo que não consegue atrair investimento", criticou. "O que esperamos é que no próximo A-5, marcado para 29 de janeiro, tenhamos um preço igual ou melhor que R$ 281 MWh. Espero que o governo não quebre essa expectativa louvável que começou a partir de 2013 de melhorar os preços da biomassa", disse o gerente da Única, enfatizando que o preço ofertado não remunera o investimento.

Apesar das críticas, o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, garantiu que o resultado o leilão atendeu as expectativas do governo e contratou toda a demanda necessária para 2018.  O certame contratou 314,3 MW médios de energia, viabilizando 669,5 MW em capacidade instalada. O preço médio geral do certame ficou em R$ 188,87/MWh, com deságio de 2,27%, o que representou uma economia de R$ 254,9 milhões para os consumidores de energia. Foram contratadas sete PCHs (66,1MW), três térmicas (64,5MW) e 29 eólicas (538,8MW).