Eletrobras negociará permanência de construtoras em Angra 3

Reunião está prevista para próxima semana, informou o presidente da companhia, José da Costa Carvalho Neto

O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, informou nesta quinta-feira, 13 de agosto, que tentará negociar a permanência das construtoras no consórcio Angramon. O objetivo é evitar que cinco empreiteiras desistam de executar a montagem eletromecânica da usina nuclear de Angra 3, em construção no Rio de Janeiro. "Vamos verificar para ver se eles continuam”, disse o executivo à Agência CanalEnergia, após participar de um evento na Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro.

As empresas alegam que há atrasos no pagamento dos serviços executados, contudo Carvalho Neto informou que já conseguiu a aprovação do financiamento para fazer frente aos compromissos. "Temos uma reunião prevista no início da semana que vem, vamos ver se falamos com todos, se a gente chega num ponto comum". A empresa está finalizando o empréstimo de R$ 3,5 bilhões com a Caixa Econômica Federal. A reportagem apurou que ao menos três construtoras pediram rescisão do contrato. São elas as empreiteiras Odebrecht, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão.

“A construtora Queiroz Galvão informa que em 22 de julho comunicou o conselho diretor do Consórcio Agramon de sua saída do grupo de empresas responsáveis pela construção da usina nuclear de Angra 3. A companhia esclarece que a desistência do contrato se deve à inadimplência da Eletronuclear", informou em nota. Da mesma forma, a construtora Camargo Corrêa também confirmou que pediu rescisão do contrato "em face do não pagamento pelo contratante dos serviços já executados”. As empresas Andrade Gutierrez e Techint, que supostamente também teriam desistido do contrato, não comentaram o assunto. Em nota, o Consórcio Angramon disse que não se manifestaria sobre suas consorciadas. “O consórcio ressalta que não pediu a rescisão do contrato com a Eletronuclear.”

Carvalho Neto informou que as obras civis na usina seguem sendo executadas. Já a parte eletromecânica, que "não está num caminho crítico", segundo sua avaliação, teria espaço para suportar uma interrupção de até dois meses que não comprometeria o cronograma do empreendimento. Além disso, caso a negociação com as construtoras não avance, Carvalho Neto cogitou a possibilidade de as empresas restantes no consórcio seguirem com a montagem eletromecânica, quem sabe até com novos parceiros. "Vamos verificar se os que ficaram têm condição de tocar a obra", disse o executivo.

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, que deu palestra na Escola de Guerra Naval, também falou sobre o assunto. Ele ressaltou que o contrato continua vigente e os pagamentos estão sendo feitos. "O contrato está em vigor, o pagamento foi retomado, inicialmente com os fornecedores internacionais. Um aditivo para pagamento de fornecedores nacionais está em fase de conclusão e deve ocorrer nos próximos dias. Portanto, o argumento da inadimplência me parece estranho”, afirmou o ministro.  Ele ressaltou ainda que as empresas não formalizaram a saída do obra. "Contrato não se rompe unilateralmente, a não ser que se pague com as consequências contratuais", frisou.

O processo de licitação da montagem eletromecânica de Angra 3 é um dos alvos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, sob suspeita de fraude e corrupção. Um dos investigados é o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, que pediu demissão da presidência da Eletronuclear após ser preso sob suspeita de receber R$ 4,5 milhões em propina.