Pela primeira vez, a agência de classificação do risco Fitch atribuiu rating nacional de longo prazo à Bolt Energias. O Rating ‘A-(bra)’ divulgado na última segunda-feira, 27 de julho, reflete a capacidade da empresa de manter um perfil de crédito satisfatório, mesmo com os significativos investimentos e desafios a serem assumidos com a implantação da usina termelétrica Campo Grande. A perspectiva do rating corporativo é estável.
Ao mesmo tempo, a agência atribuiu o rating nacional de longo prazo ‘A-(bra)’ à proposta de primeira emissão de debêntures quirografárias da companhia, com garantia real, no montante de R$ 100 milhões. Os recursos da proposta de primeira emissão de debêntures da Bolt serão utilizados para liquidação de um empréstimo-ponte, cujo saldo devedor é de R$ 45 milhões, e para o aporte de capital em projetos de geração de energia, reflorestamento e eficiência energética.
Por se tratar de uma holding, a análise considerou o perfil de negócios da Bolt e a capacidade dos demais investimentos da companhia. O fluxo de dividendos que, somados ao caixa acumulado, deverão permitir uma cobertura moderada das obrigações operacionais e financeiras. A agência entende que o aumento da alavancagem financeira da Bolt, em bases consolidadas, e os fluxos de caixa livres (FCFs) negativos nos próximos anos estão atrelados à fase de maiores investimentos.
Os ratings também incorporam o estágio ainda inicial de desenvolvimento da UTE Campo Grande, o que traz mais incertezas à análise. Mantido o atual portfólio de investimentos da Bolt em suas participações correntes, este será o principal negócio da companhia, e o risco de suas atividades está, portanto, bastante atrelado ao sucesso deste projeto. A análise considerou, ainda, a volatilidade dos resultados e os riscos inerentes ao segmento de comercialização de energia, atualmente o principal negócio da Bolt, bem como a subordinação de suas obrigações às das empresas em que investe. Como a Bolt atua em companhias do setor elétrico, o rating também contempla um risco setorial moderado e as variações nos resultados, que podem ser ocasionadas por possíveis alterações no cenário hidrológico.
Desafio de Implantação – A Bolt tem como importante desafio viabilizar os pesados investimentos na construção da UTE Campo Grande, estimados em aproximadamente R$ 803 milhões. Positivamente, o projeto desta térmica, movida a partir de biomassa proveniente de cavaco de eucalipto, possui contrato de empreitada global com a Areva Renewables do Brasil, com preço e prazo preestabelecidos, o que traz maior previsibilidade durante a fase de construção. Durante a fase operacional, a Fitch espera que a companhia possa apresentar fluxo de caixa operacional suficiente para cumprir suas obrigações financeiras, não tendo dificuldades para obter matéria-prima para a produção de energia.
Alavancagem – Mantido o atual portfólio de negócios da Bolt, a expectativa da Fitch é de que a alavancagem líquida consolidada da empresa atinja um pico próximo a 18 vezes ao final de 2017, com gradual redução a partir de 2018 e níveis abaixo de 5 vezes em 2019, quando a UTE Campo Grande entrar em operação comercial. Em seu cenário-base, a agência considera que este projeto, em andamento, possuirá dívida em forma de project finance e fluxo operacional de caixa compatível com suas obrigações financeiras.
O perfil financeiro consolidado da Bolt se mostrava conservador ao final do primeiro trimestre de 2015, beneficiado por um volume de investimentos ainda reduzido na UTE Campo Grande e pelos melhores resultados apurados no segmento de comercialização de energia, aproveitando-se dos maiores preços de energia no mercado. No período de 12 meses encerrado em 31 de março de 2015, a receita líquida consolidada da Bolt, de R$ 1,1 bilhão, e o Ebitda, de R$ 72 milhões, que inclui R$ 12 milhões em dividendos recebidos pelo grupo das empresas não consolidadas, apresentaram forte crescimento frente aos R$ 756 milhões e R$ 5 milhões apurados, respectivamente, em 2013. No mesmo período, a alavancagem líquida do grupo era de 0,2 vez.
(Nota da Redação: matéria alterada às 16 horas do dia 4 de agosto de 2015 para retificação de informação feita pela Standard & Poor’s no relatório original)